A recente decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar certos produtos de origem animal pode representar um grande prejuízo ao agronegócio nacional, estimado em até US$ 1,8 bilhão.
Impacto nas exportações
Dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura e Pecuária, revelam que, em 2025, o Brasil exportou aproximadamente 368,1 mil toneladas de carne para a União Europeia, gerando uma receita de US$ 1,8 bilhão. Com a imposição do veto, esse mercado pode ser fechado para produtos essenciais como carne bovina, de frango, equina, pescado, mel e tripas.
Valores das exportações afetadas
Os números de 2025 destacam a relevância do mercado europeu para o Brasil:
- Carne bovina: US$ 1,048 bilhão e 128 mil toneladas
- Carne de frango: US$ 762,9 milhões e 230 mil toneladas
- Carne de peru: US$ 15,7 milhões e 3,5 mil toneladas
- Carne suína: US$ 1 milhão e 228 toneladas
- Carne de cavalo: US$ 1 milhão e 451 toneladas
- Carne ovina: US$ 144 mil e 11 toneladas
- Carne de pato: US$ 24 mil e 20 toneladas
Esses dados mostram que, apesar da possibilidade de redirecionamento da produção para outros mercados, a perda do acesso à União Europeia pode impactar fortemente frigoríficos e segmentos que dependem do mercado europeu para produtos de maior valor agregado.
Motivos do veto
De acordo com a Comissão Europeia, a decisão não está atrelada ao acordo comercial entre Mercosul e UE, mas sim ao não cumprimento de exigências sanitárias. A legislação europeia proíbe a importação de produtos que utilizem antimicrobianos para promover crescimento animal, uma prática considerada prejudicial à saúde pública.
Possibilidade de reversão
Embora a decisão já tenha sido oficializada, as restrições ainda não estão em vigor. O novo regulamento só começará a ser aplicado em 3 de setembro de 2026, o que dá ao Brasil um prazo para apresentar esclarecimentos e tentar reverter a situação antes que o veto se torne efetivo.
