Os Estados Unidos voltaram suas atenções para o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix. Um relatório divulgado pelo escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) acusa o sistema de prejudicar injustamente empresas americanas como Visa, Mastercard e WhatsApp Pay, e sugere a aplicação de uma taxa de 25% sobre certos produtos brasileiros como uma medida de pressão.

Investigação sobre práticas comerciais

A acusação é fruto de uma investigação iniciada em julho de 2025 pelo governo Trump, que apontou supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil. A conselheira jurídica geral do USTR, Jennifer Thornton, afirmou que o Banco Central do Brasil, ao atuar como regulador e operador do Pix, cria um conflito de interesse, favorecendo a solução nacional em detrimento de concorrentes estrangeiros.

O relatório destaca que o Brasil exige que instituições com mais de 500 mil contas ofereçam o Pix gratuitamente e que o sistema seja promovido de maneira equivalente a outros meios de pagamento em aplicativos e sites bancários. Para o USTR, isso impõe um ônus aos provedores americanos, forçando-os a destacar um concorrente brasileiro sem compensação.

Prazos e possíveis consequências

As autoridades brasileiras e empresas afetadas têm até o dia 15 de julho para se manifestar sobre o relatório. Após essa data, os Estados Unidos poderão implementar “medidas corretivas” contra o Brasil, o que pode intensificar a tensão comercial entre os dois países.

Impacto do Pix na economia

O economista Pedro Paulo Zahluth Bastos, da Unicamp, destaca que a ação americana visa proteger os lucros de monopólios privados ameaçados pelo Pix, que, segundo ele, mostrou que uma infraestrutura pública pode desestabilizar o modelo privado que cobra tarifas. O economista argumenta que o Pix não impede a operação dos cartões, mas compete oferecendo um serviço público gratuito e eficiente.

Motivações políticas e econômicas

Zahluth também ressalta o aspecto político por trás da iniciativa. Além da disputa por mercado, o governo Trump pode usar esse caso como um exemplo para desencorajar outros países de desenvolverem suas próprias infraestruturas públicas de pagamento que possam competir com empresas americanas.

O que está em jogo para o Brasil

O Pix, que já superou Visa e Mastercard em volume de transações no Brasil, está também sendo utilizado em operações internacionais como alternativa ao dólar, o que gera desconforto em Washington. A pressão de empresas de tecnologia e cartões americanos sobre o governo Trump para agir contra o sistema brasileiro é crescente, refletindo a luta por controle no setor de pagamentos.