A trajetória de Jéssica na Taça das Favelas é marcada por superação e determinação. A atacante do São Marcos chega à final pela quarta vez, carregando a experiência de três títulos e uma história inspiradora de luta contra a Síndrome de Stargardt, uma condição genética que compromete a visão central.
Desafios e superação
A síndrome provoca a perda progressiva da visão, dificultando a leitura, o reconhecimento de rostos e a identificação de cores, além de aumentar a sensibilidade à luz. No entanto, Jéssica não se deixou abater e continua a brilhar em campo, simbolizando a união e a força do time, que alcançou a final por méritos coletivos.
Apoio das companheiras
Com o entrosamento do time, mesmo sem uma rotina de treinos, Jéssica consegue se destacar. Suas companheiras a ajudam com gestos e gritos em campo, facilitando sua interação durante os jogos. "Elas levantam a mão e gritam quando estou com a bola. Já nos acostumamos com essa dinâmica", explica.
Início no futebol
Desde os 12 anos, Jéssica se dedica ao futebol, começando em um time de Sumaré. Sua habilidade em campo logo chamou a atenção e, aos 13 anos, ela se transferiu para Campinas, onde conquistou diversos títulos em competições regionais. No entanto, foi nesse momento que as dificuldades visuais começaram a se manifestar.
Diagnóstico e continuidade
Após sentir incômodos na visão durante os treinos, Jéssica foi diagnosticada com apenas 40% da visão no olho direito e 35% no esquerdo, o que a levou a pensar em desistir do esporte. "Eu não via minhas companheiras e tinha muita dificuldade. Não conseguia diferenciar as cores dos uniformes", relembra.
Rumo à final
Com o apoio de lentes corretivas e da equipe, Jéssica seguiu sua trajetória, passando pela Inter de Limeira antes de retornar ao São Marcos, onde se consolidou como uma das principais jogadoras. A equipe se prepara para enfrentar o Parque Brasília na final da Taça das Favelas, marcada para esta quinta-feira, às 14h45, no Brinco de Ouro da Princesa, com transmissão ao vivo pela EPTV.
"Vai ser um jogo difícil, mas estamos focadas. Nosso time é forte e vamos em busca da quarta taça", conclui Jéssica, que apesar de suas limitações visuais, conhece bem o caminho até a final.
