A China anunciou oficialmente que reconhece o Brasil como um país livre da febre aftosa, o que resulta na revogação de uma série de restrições que limitavam a exportação de carne bovina para o país asiático. Essa decisão é um marco importante para o comércio bilateral e fortalece as relações entre as duas nações.

Solicitação e Certificação

O reconhecimento foi formalizado um ano após o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) do Brasil ter solicitado às autoridades chinesas a certificação de que o país estava livre da febre aftosa sem necessidade de vacinação. O Brasil conseguiu eliminar de maneira eficaz a circulação do vírus da doença, permitindo que não sejam mais necessárias vacinas para o controle da enfermidade.

Movimentações Diplomáticas

Antes do pedido formal ao governo chinês, o Brasil já havia sido declarado livre da febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em maio. Essa declaração motivou a Embaixada do Brasil em Pequim a encaminhar um pedido à Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) e ao Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China.

Avaliações Técnicas

Em 2024, uma missão técnica da China visitou o Brasil para verificar os controles sanitários relacionados à carne bovina. Apesar da avaliação positiva, as autoridades aduaneiras de Pequim solicitaram mais informações. Em resposta, o governo brasileiro enviou dados adicionais sobre seus programas de erradicação e vigilância da febre aftosa.

Visita do Chanceler

A confirmação do Brasil como país livre da febre aftosa ocorre em um momento estratégico, já que o chanceler Mauro Vieira está em viagem a Pequim para participar da 5ª edição do Diálogo Estratégico Global Brasil-China. Esse mecanismo de consulta política existe desde 2014 e visa discutir temas relevantes para ambos os países.

Discussões sobre Fertilizantes

Durante sua visita, o chanceler abordará, entre outros assuntos, a necessidade do Brasil de aumentar a importação de fertilizantes, sendo a China a principal fornecedora em 2025. Em missões anteriores ao Uzbequistão e Cazaquistão, o abastecimento de fertilizantes foi uma prioridade, especialmente devido à instabilidade do setor causada pela guerra no Irã, que afeta a agricultura brasileira.