A União Europeia (UE) decidiu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal, tornando-o o único membro do Mercosul afetado pelas novas restrições sanitárias. Enquanto isso, Argentina, Paraguai e Uruguai mantêm sua autorização para enviar produtos de origem animal aos 27 países da UE, conforme regulamento publicado pela Comissão Europeia.
Impactos no Agronegócio
A exclusão do Brasil pode ter sérias consequências para um dos mercados mais importantes para o agronegócio do país, que vê a União Europeia como seu segundo maior destino de exportações de carnes, atrás apenas da China. A decisão foi feita em um contexto de aproximação comercial entre o Mercosul e a UE, o que levanta preocupações entre autoridades e representantes do setor.
Justificativa da UE
De acordo com a Comissão Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista não está relacionada ao acordo comercial entre os blocos, mas sim ao não cumprimento de exigências sanitárias. O Brasil não apresentou informações suficientes para comprovar que cumpriria integralmente as normas da UE sobre o uso de antimicrobianos na produção animal até setembro de 2026.
Regras Sanitárias e Resistência Bacteriana
A legislação europeia proíbe a importação de produtos de origem animal que utilizem antimicrobianos para promover crescimento ou aumentar a produtividade dos animais. Bruxelas argumenta que o uso inadequado dessas substâncias contribui para a resistência bacteriana, uma das principais ameaças à saúde pública global.
Exportações e Valores
A exclusão do Brasil significa que o país não poderá exportar carnes de bovinos, aves, equídeos, aquicultura, mel e tripas para a UE. Em 2025, as exportações de carne bovina sozinhas foram avaliadas em US$ 1,048 bilhão, enquanto a carne de frango alcançou US$ 762,9 milhões. O total das vendas de carnes ao bloco europeu atingiu aproximadamente US$ 1,8 bilhão no ano anterior.
Próximos Passos
Embora a medida tenha sido oficializada, o veto ainda não está em vigor. O regulamento europeu começará a ter efeitos a partir de 3 de setembro de 2026. O Brasil agora enfrenta o desafio de reverter essa situação até lá, buscando atender às exigências da UE para retomar suas exportações.
