A partir de junho, o Sistema Único de Saúde (SUS) iniciará a aplicação da vacina pneumocócica conjugada 20-valente, que substituirá a versão 10-valente. Essa nova vacina duplica o número de sorotipos que podem ser prevenidos, aumentando a proteção contra infecções graves.

Nova estratégia de vacinação

De acordo com o Ministério da Saúde, um guia técnico preliminar foi divulgado para orientar os profissionais de saúde sobre a transição. Municípios poderão começar a aplicar a vacina assim que o imunizante estiver disponível.

A doença pneumocócica, causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, pode levar a quadros leves, como otite e sinusite, além de condições graves como pneumonia, meningite e sepse. Estima-se que a bactéria seja responsável por até 50% dos casos de meningite bacteriana em crianças, com uma taxa de mortalidade de aproximadamente 30%.

Crescimento dos casos de meningite

Após a introdução da vacina 10-valente em 2010, houve uma redução significativa nos casos de meningite pneumocócica em crianças de até dois anos. No entanto, nos últimos anos, o Brasil observou um aumento nos casos: de 164 anuais entre 2013 e 2019 para uma média de 211,3 de 2022 a 2024.

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo, destaca que essa mudança é reflexo da eficácia da vacina anterior, mas que o pneumococo tem a capacidade de substituir tipos controlados, levando a um aumento da incidência de outros tipos não prevenidos.

Impacto da nova vacina

Dados do Ministério da Saúde indicam que quase 40% dos casos graves entre 2018 e 2023 foram causados por sorotipos não incluídos na VPC10, mas que estão na nova VPC20. A vacinação com a nova fórmula é vista como uma estratégia para reverter a tendência de aumento de casos.

A VPC20 não apenas previne a doença em indivíduos vacinados, mas também diminui a transmissão do pneumococo, o que representa uma proteção indireta para a população não vacinada. Durante a transição, as crianças receberão doses da nova vacina em combinações específicas, visando garantir a proteção adequada.

Grupos prioritários e contraindicações

Além da vacinação infantil, grupos de risco como pacientes imunocomprometidos e pessoas com doenças crônicas também devem ser vacinados. A nova vacina é contraindicada apenas para aqueles com alergia grave a algum componente da fórmula.