Na última segunda-feira (1º), José Hiran Gallo, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), anunciou a intenção da entidade de solicitar que a Anvisa proíba totalmente o uso do PMMA (polimetilmetacrilato) no Brasil.

Proibição do Uso

O CFM já havia determinado, na última sexta-feira (29), que médicos não podem utilizar o PMMA como substância preenchedora para qualquer finalidade, seja estética ou reparadora. Essa nova regra entra em vigor na próxima terça-feira (2).

Gallo destacou que o PMMA representa um risco para a saúde de milhares de brasileiros e que a decisão de banir o produto é uma questão ética importante para a segurança da população. Ele afirmou: "Vamos marcar uma reunião com o presidente da Anvisa para banir das prateleiras esse produto".

Exceções e Recomendações da Anvisa

A única exceção para o uso do PMMA, conforme a nota do CFM, é o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/aids, desde que realizado em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A Anvisa, por sua vez, permite o uso do PMMA apenas por médicos e dentistas, em situações específicas, como correção de deformidades e preenchimentos faciais e corporais. A agência já havia reforçado, em 2022, que não recomenda o uso do PMMA para fins puramente estéticos.

Casos de Complicações

A decisão do CFM segue um aumento de alertas sobre procedimentos estéticos invasivos realizados por profissionais não qualificados, resultando em complicações graves. Um trágico evento que motivou a nova proibição foi a morte de Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, após um procedimento estético com PMMA em São Paulo.

De acordo com relatos, Roseli começou a apresentar sintomas severos um dia após a aplicação, incluindo dores intensas e dificuldade para respirar, culminando em sua morte.

Posicionamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) também se pronunciou em apoio à proibição do PMMA. A entidade expressou preocupação com a segurança dos pacientes, especialmente após mais um caso fatal vinculado ao uso do produto em procedimentos estéticos.

José Hiran Gallo reiterou que existem alternativas mais seguras para procedimentos estéticos e que os riscos associados ao PMMA superam seus possíveis benefícios. Ele enfatizou que as complicações podem ser tardias e ocorrem independentemente da experiência do profissional que realiza a aplicação.