A ilegalidade no Brasil, que abrange sonegação, contrabando e falsificação, representa um custo impressionante de R$ 107 bilhões anualmente para a indústria nacional. Essa realidade não só impede a geração de empregos, mas também prejudica a arrecadação de impostos, um problema que se agrava com o aumento da carga tributária e a complexidade do sistema fiscal.

Impactos financeiros diretos

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o crime causa danos diretos de R$ 39,1 bilhões ao ano à indústria. Além disso, as empresas gastam aproximadamente R$ 68,5 bilhões com segurança privada e medidas protetivas, evidenciando que no Brasil, a prevenção de crimes acaba custando mais que os próprios roubos.

Estatísticas preocupantes

Uma pesquisa reveladora mostra que uma em cada três indústrias foi afetada por atividades criminosas nos últimos dois anos. O impacto financeiro é imediato, com muitas delas enfrentando uma queda significativa na receita bruta e perda de participação no mercado para empresas que operam fora da lei.

Desigualdade entre grandes e pequenas empresas

As pequenas empresas são as mais vulneráveis, perdendo cerca de 0,6% de seu faturamento anual devido à ilegalidade, enquanto as médias enfrentam uma perda de 0,8%. Para essas organizações, que já enfrentam margens apertadas e dificuldade de acesso ao crédito, essa perda pode ser a diferença entre a sobrevivência e a falência, como afirma Fabrício Silveira, superintendente de Política Industrial da CNI.

Roubo de cargas e produção ilegal

O roubo de cargas é uma das principais queixas entre as grandes indústrias. O estado do Rio de Janeiro, por exemplo, registrou em 2025 uma média alarmante de oito caminhões atacados por dia, resultando em R$ 314 milhões em perdas. Além dos roubos, a fabricação de produtos sem conformidade técnica em galpões clandestinos agrava a situação, com itens falsificados sendo vendidos sem atender a normas de segurança e qualidade.

Demandas por fiscalização

Para enfrentar esse cenário, 77% dos empresários entrevistados pela CNI pedem uma ação mais robusta do Estado na fiscalização. Aumentar a presença das polícias estaduais e fortalecer a atuação da Polícia Federal e da Receita Federal nas fronteiras são medidas consideradas urgentes. Enquanto a segurança jurídica e física for um privilégio, o custo para a produção no Brasil continuará a ser elevado.