O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) está apurando a situação da falta de pediatria 24 horas na Santa Casa de Caeté, na Região Central do estado. A investigação foi motivada por um abaixo-assinado que coletou mais de mil assinaturas, denunciando a demora nos atendimentos e a ausência de pediatras durante a noite e fins de semana.
Relatos de mães preocupadas
O movimento ganhou força após vídeos da publicitária Stef Vrato, que compartilhou sua experiência ao buscar atendimento para sua filha com cardiopatia. "Minha filha pode ficar roxa a qualquer momento, e a falta de pediatras 24 horas aumenta a insegurança", desabafou Stef, enfatizando que muitas famílias acabam se deslocando para hospitais em Belo Horizonte, o que pode levar até uma hora.
Casos alarmantes de atendimento
Outras mães se uniram à causa, compartilhando experiências similares. Uma delas relatou que, ao levar seu filho de dois meses à Santa Casa, recebeu a orientação de dar água ao bebê, sem um atendimento adequado de pediatra. Em outra situação, um médico recomendou transferir uma criança diagnosticada com dengue para Belo Horizonte, devido à falta de pediatria na unidade durante a noite.
Superlotação e falta de recursos
A situação se agrava com a superlotação e as longas esperas. Uma mãe afirmou que aguardou quase oito horas por atendimento para sua filha, que estava com dengue. Stef também presenciou uma criança com pulseira laranja aguardando por mais de uma hora, além de erros nas prescrições de medicamentos para crianças.
Mobilização e busca por respostas
Com a repercussão do caso, foi criado um grupo de apoio com mais de 220 mães para discutir a saúde infantil no município. Apesar das reclamações, ainda não houve resposta oficial da prefeitura sobre as demandas apresentadas. "Até agora, foi silêncio", disse Stef.
Necessidade de investimentos
Carlos Júnior, gestor da Santa Casa, indicou que seriam necessários cerca de R$ 80 mil mensais para manter o atendimento pediátrico integral. A ampliação do serviço depende de atualizações contratuais e repasses do município. Moradores também pedem melhorias na infraestrutura hospitalar, especialmente para crianças que necessitam de UTI pediátrica.
Protesto e busca por providências
Recentemente, o grupo de mães organizou uma caminhada até a prefeitura para pressionar por ações. "Estamos pedindo socorro pelos nossos filhos", afirmou Stef. A reportagem tentou contato com a Prefeitura de Caeté para obter esclarecimentos, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
