Um novo fenômeno de El Niño já está em formação e apresenta indícios de trazer mais chuvas ao Sul do Brasil, enquanto o Norte e Nordeste podem enfrentar secas severas. O monitoramento das condições climáticas é feito através de satélites e radares, que observam a massa de água quente no Oceano Pacífico em direção à América do Sul.

Intensidade do Fenômeno

Especialistas indicam que o novo El Niño deve ser classificado como de moderado a forte, embora a exata intensidade ainda seja incerta. Tércio Ambrizzi, professor na USP, alerta que a terminologia 'super El Niño' não é apropriada. A temperatura na superfície do Pacífico equatorial já está cerca de 0,5 °C acima do normal, o que caracteriza o fenômeno.

José Marengo, do Cemaden, prevê que os primeiros sinais do El Niño poderão ser percebidos no Sul durante a primavera, com aumento das chuvas. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta uma probabilidade de 90% para a ocorrência do fenômeno este ano, o que pode agravar tanto as secas quanto as chuvas intensas.

Impactos Esperados

A expectativa é que a seca se intensifique durante o inverno e verão em regiões como a Amazônia e parte do Nordeste, o que pode aumentar o risco de queimadas e prejudicar a produção agrícola. No Sul, a previsão é de um aumento significativo das chuvas, o que pode gerar novos desafios.

A atual safra de grãos está projetada em 356 milhões de toneladas, um leve aumento em relação ao ano anterior, mas a indefinição sobre os impactos do El Niño preocupa tanto a população quanto o agronegócio. As autoridades federais estão em constante monitoramento e preparativas para possíveis situações críticas.

Falta de Preparação

Comunidades vulneráveis sentem a falta de investimentos para enfrentar eventos climáticos extremos. Thaynah Gutierrez, da Rede por Adaptação Antirracista, destaca que as periferias das cidades carecem de infraestrutura adequada para lidar com inundações e secas. Especialistas defendem que a preparação deve ser contínua e não depender apenas da confirmação de fenômenos climáticos específicos.

Além disso, a comunicação de risco é um desafio, já que a proliferação de informações desencontradas nas redes sociais pode gerar confusão entre a população. É essencial que os governos adotem um planejamento que priorize as áreas mais vulneráveis, garantindo que os recursos sejam destinados adequadamente para a prevenção e adaptação a desastres.