A Câmara dos Deputados aprovou recentemente a PEC 221/2019, que extingue a jornada de trabalho 6x1 no Brasil, um movimento que não surpreendeu muitos. Em um ano eleitoral, a maioria dos parlamentares optou por aprovar a proposta do deputado Léo Prates, que visa a redução da carga semanal de 44 para 40 horas, com um período de transição de 12 meses.
Transição da nova jornada
A transição estabelecida pela PEC prevê que, após 60 dias da sua promulgação, a jornada será reduzida para 42 horas semanais, com a condição de que os trabalhadores tenham dois dias de descanso por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Após 12 meses com a jornada de 42 horas, a redução para 40 horas será definitiva.
Qualidade de vida vs. custos econômicos
Embora a intenção de melhorar a qualidade de vida do trabalhador seja bem recebida, especialistas alertam para os custos que essa mudança pode trazer ao país. Antes de implementar essa redução na jornada, seria necessário enfrentar problemas estruturais como a elevada carga tributária e a baixa produtividade da força de trabalho no Brasil.
Consequências para o setor produtivo
Com a nova legislação, os empregadores brasileiros enfrentarão um dilema: pagar os mesmos salários por menos horas trabalhadas, o que pode levar ao aumento dos custos de produção. Isso pode resultar em menos empregos formais, uma maior informalidade e uma diminuição na arrecadação previdenciária.
Impacto na inflação e na competitividade
A equação de menos horas trabalhadas com o mesmo salário pode provocar um aumento da inflação. O encarecimento da produção, que afeta a competitividade das empresas, pode ser repassado ao consumidor, elevando os preços de bens e serviços.
Comparação com países desenvolvidos
Muitos argumentam que o Brasil está seguindo o exemplo de países desenvolvidos que reduziram suas jornadas de trabalho, como Alemanha e Dinamarca. No entanto, é essencial lembrar que essas nações alcançaram tal redução após se tornarem economicamente robustas e tecnologicamente avançadas, algo que o Brasil ainda busca.
O futuro da proposta no Senado é incerto, e muitos questionam se haverá disposição para reverter ou modificar a decisão. Enquanto isso, pequenos e médios empreendedores continuarão a trabalhar sob a pressão de um sistema econômico desafiador.
