O Distrito Federal enfrenta um cenário alarmante com o registro de 12,5 mil afastamentos de trabalhadores e estudantes devido a transtornos mentais, segundo dados do Ministério da Previdência Social (MPS). Embora o número de concessões de benefícios tenha diminuído, passando de 14.771 em 2024 para 12.588 em 2025, os especialistas alertam que essa queda não reflete uma melhoria na saúde mental da população.

Transtornos em Alta

As condições psicológicas como ansiedade e depressão estão entre as principais causas de licenças. No setor privado, o medo do desemprego muitas vezes impede os trabalhadores de buscarem ajuda. Uma profissional da comunicação que preferiu não se identificar compartilhou sua experiência de esgotamento mental, relatando uma perda de prazer em sua atividade profissional e o temor de ser julgada por sua fragilidade emocional.

Impactos no Mercado de Trabalho

O relato da profissional ilustra a vulnerabilidade do mercado de trabalho, onde muitos são dispensados em vez de receber o suporte necessário para a recuperação. A psicóloga Karoline Miranda destaca que, apesar da redução nos dados locais, o cenário global permanece crítico, com 840 mil mortes anuais relacionadas a transtornos mentais, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Desafios Enfrentados por Educadores

A realidade de trabalhadores como a professora Aline Lourenço, que atua na Secretaria de Educação, exemplifica a pressão cotidiana que leva ao esgotamento. Com cargas horárias excessivas e falta de apoio, Aline enfrentou crises de saúde mental, mas encontrou barreiras na busca por acolhimento durante o processo de afastamento.

Responsabilidade das Empresas

A advogada Adriana Monteiro ressalta que o aumento dos afastamentos por transtornos mentais é um reflexo das condições de trabalho inadequadas, como assédio moral e falta de suporte psicológico. As empresas podem ser responsabilizadas quando há evidências que ligam suas práticas ao adoecimento dos funcionários.

Necessidade de Mudanças Estruturais

Por fim, as especialistas chamam a atenção para a urgência de evoluções nas legislações trabalhistas e previdenciárias, que precisam se adaptar à nova realidade de adoecimento dos trabalhadores. Doenças mentais, embora invisíveis, têm um impacto significativo na capacidade laboral e requerem atenção e proteção adequadas.