A oitava edição do Rio2C, realizada no Rio de Janeiro, reuniu cerca de 55 mil participantes e se consolidou como um importante espaço de discussão sobre a economia criativa. Para Rafael Lazarini, idealizador do evento, a atual fase do encontro demonstra uma maturidade institucional e um reconhecimento crescente da economia criativa como uma prioridade estratégica para o Brasil.

Transformação do Evento

Originalmente voltado ao setor audiovisual, o Rio2C evoluiu para incluir diversas áreas das indústrias criativas, como música, games e design. Lazarini comenta que o evento é mais do que uma simples conferência; ele se tornou um movimento que integra negócios e festivais, promovendo a interação entre diferentes segmentos culturais.

Cultura como Indústria

O fundador do Rio2C defende que a cultura deve ser encarada como uma indústria, uma ideia que, segundo ele, ainda enfrenta resistência. Lazarini relata que, no início, a junção entre cultura e indústria gerava estranhamento, mas hoje essa visão já é mais aceita, com várias secretarias de cultura se transformando em secretarias de economia criativa.

Conceito de Soft Power

Outro aspecto discutido no evento é o conceito de soft power, que se refere à capacidade de um país de influenciar globalmente através da cultura. Lazarini destaca que, assim como Hollywood fez com os Estados Unidos, o Brasil possui um potencial cultural que, se bem planejado, pode gerar grande impacto internacional.

Mudanças na Percepção Cultural

De acordo com Lazarini, o Brasil está vivendo uma transformação na forma como a cultura é percebida em relação ao desenvolvimento econômico. A cultura está se tornando uma fonte de riqueza, inovação e empregos, e essa mudança de mentalidade é crucial para o futuro.

Reflexão sobre Propósito

O tema da edição deste ano, “Code of Meaning”, foi escolhido para incentivar reflexões sobre o propósito da criação. Lazarini menciona a necessidade de voltar ao pensamento criativo original em meio à grande quantidade de conteúdo gerado por inteligência artificial, ressaltando a importância da troca humana e da intuição.

O Papel do Rio de Janeiro

Por fim, Lazarini enfatiza que o Rio de Janeiro tem um papel central nessa construção da economia criativa. Apesar de ter perdido espaço político e econômico, a cidade ainda mantém uma forte vocação criativa, e o Rio2C busca reposicionar o Rio como a capital cultural do Brasil.