Na última terça-feira (2), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) expressou seu apoio ao sistema de pagamentos Pix, em meio a novas ameaças de tarifas adicionais dos Estados Unidos ao Brasil. A entidade ressaltou que o Pix é um componente crucial para a competitividade e para o desenvolvimento econômico do país, disponível tanto para cidadãos brasileiros quanto para estrangeiros.

Defesa do Pix

A Febraban afirmou que o Pix deve ser visto como uma infraestrutura de pagamento, não como um produto comercial. Isso favorece a concorrência e o funcionamento eficaz do sistema de pagamentos, beneficiando a economia como um todo. A federação também enfatizou a abertura do sistema a novos participantes, desde que tenham presença no Brasil, permitindo transações em real.

Expectativas em relação à investigação dos EUA

A federação acredita que as preocupações expressas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) decorrem de uma compreensão limitada sobre o funcionamento do Pix. O comunicado sugere que as contribuições do Banco Central do Brasil e do setor bancário brasileiro, incluindo instituições financeiras dos EUA, possam auxiliar na clarificação das conclusões do USTR.

Crescimento do Pix e dos Cartões

O Pix tem mostrado um crescimento significativo no Brasil, com 21 bilhões de transações e R$ 9,7 trilhões movimentados no primeiro trimestre de 2026, conforme dados do Banco Central. Entretanto, isso não implica que o uso de cartões de crédito e débito esteja em declínio. A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) reportou 11,7 bilhões de transações com cartões, um aumento de 3% em comparação ao ano anterior.

Comparação de Modalidades de Pagamento

As operações com cartões alcançaram R$ 1,1 trilhão neste mesmo período, com destaque para o cartão de crédito, que cresceu 12,8% e registrou R$ 810,2 bilhões em pagamentos. Entre as transações, os pagamentos por aproximação com cartões representaram quase 75% das operações, ao passo que o Pix por Aproximação não teve a mesma aceitação após um ano de lançamento.

Críticas às Políticas Econômicas

A defesa do Pix surge após uma investigação do USTR que criticou as políticas econômicas brasileiras como “irrazoáveis” e prejudiciais ao comércio dos EUA, sugerindo uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Uma das críticas refere-se à centralização de funções do Banco Central, que atua tanto como regulador quanto operador do Pix, o que poderia criar desvantagens para provedores privados estrangeiros.