Uma análise realizada pelo Grupo All Cross revela que a maioria dos usuários de planos de saúde no Brasil não se beneficiará do teto de reajuste de 5,11% aprovado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Este aumento foi divulgado como o menor desde o ano 2000.
Benefícios Limitados
Conforme a pesquisa, apenas 14,5% dos usuários, cerca de 7,7 milhões de pessoas que têm contratos individuais ou familiares, serão abrangidos pelo novo índice. Em contrapartida, 85,5% dos clientes, totalizando 45,2 milhões, estão vinculados a acordos coletivos, os quais não possuem um limite de reajuste estabelecido.
Histórico de Reajustes
Desde o início do século, o único ano que apresentou uma variação negativa foi 2021, quando os reajustes caíram 8,19% devido à pandemia da Covid-19. O Grupo All Cross, que realiza gestão de planos de saúde, destaca que a percepção gerada pela ANS pode ser enganosa.
Contratos Coletivos e suas Implicações
De acordo com Rogério Moreira, gerente de negócios do Grupo All Cross, a divulgação do reajuste pela ANS pode levar muitos a acreditar que o percentual se aplica a todos os tipos de planos. Porém, a maioria dos beneficiários está em contratos coletivos, que têm regras de reajuste específicas. Muitos só percebem que estão em contratos coletivos ao receberem um boleto com valores ajustados.
Tendência de Queda nos Reajustes
O índice de 5,11% reflete uma tendência de queda nos reajustes de planos individuais. Em 2022, o teto havia sido fixado em 15,50%, em resposta à alta demanda por procedimentos após a pandemia. Nos anos subsequentes, os reajustes foram de 9,63%, 6,91% e 6,06%.
Crescimento do Setor de Saúde Suplementar
Enquanto isso, os planos coletivos registraram um reajuste médio de 9,9% em 2026, muito acima da inflação oficial, que foi de 3,81% em fevereiro. O setor de saúde suplementar teve um desempenho notável, com receitas que atingiram R$ 391,6 bilhões e um lucro líquido de R$ 24,4 bilhões em 2025, o maior já registrado até agora. Em março de 2026, o mercado alcançou 53 milhões de contratos ativos, marcando um aumento de 906 mil em comparação ao ano anterior.
