A saúde mental no Brasil enfrenta sérios desafios, com muitas pessoas sem acesso aos cuidados necessários. Especialistas acreditam que a tecnologia pode ser uma solução para reduzir essa lacuna. A discussão sobre esse potencial ocorreu durante o Brain Congress 2026, realizado em Porto Alegre, onde o psiquiatra Paulo Rossi Menezes abordou o uso de ferramentas digitais no Sistema Único de Saúde (SUS).
Desafios da saúde mental
De acordo com Menezes, cerca de 12% da população adulta apresenta sintomas de depressão, um número que equivale a mais de 15 milhões de brasileiros. No entanto, apenas uma em cada quatro pessoas com esses sintomas recebe algum tipo de cuidado, e essa realidade é ainda mais grave em áreas remotas, onde menos de 4% dos afetados têm acesso a tratamento.
Iniciativas tecnológicas
Para enfrentar essa situação, projetos coordenados por Menezes têm sido desenvolvidos. Um aplicativo criado há 15 anos visa ajudar pessoas com sintomas de depressão, especialmente aquelas com doenças crônicas como hipertensão e diabetes. Essa ferramenta, que utiliza técnicas de ativação comportamental, já demonstrou resultados positivos em estudos realizados em São Paulo e no Peru.
Novas abordagens em saúde mental
As versões mais atuais do aplicativo também incluem conteúdos sobre ansiedade e insônia, condições frequentemente associadas à depressão. Um novo estudo em unidades básicas de saúde em Indaiatuba e Jaguariúna permite que pacientes realizem uma triagem por meio de um QR Code, com a recomendação de uso do aplicativo baseada nos resultados.
Resultados promissores
Nos primeiros quatro meses dessa iniciativa, 276 pessoas foram avaliadas, das quais 136 apresentaram sintomas de sofrimento psíquico, sendo que metade delas estava em condição grave. Essa ferramenta está oferecendo a chance de acesso a cuidados que antes não estavam disponíveis.
Futuro da saúde mental no SUS
Os projetos atuais visam criar uma plataforma integrada de saúde mental para o SUS, aprovada em edital do Ministério da Saúde. Essa plataforma deverá fornecer orientações para usuários e auxiliar profissionais na tomada de decisões clínicas. Embora a incorporação de inteligência artificial esteja prevista, a prioridade no momento é garantir o financiamento necessário para o desenvolvimento da plataforma.
Menezes destaca que, diante da escassez de profissionais especializados e das desigualdades no acesso ao atendimento, a tecnologia pode ser crucial para oferecer suporte a quem ainda não recebe assistência adequada em saúde mental.
