Um novo estudo revela que 27% dos adultos brasileiros desconhecem que o câncer é uma doença passível de prevenção. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer anualmente entre 2026 e 2028.
Estudo Revelador
O relatório intitulado "Mais Dados Mais Saúde — Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer" foi realizado pela Umane em parceria com a Vital Strategies e o INCA. Esta pesquisa, que ouviu 6.566 adultos em todo o Brasil entre setembro e outubro de 2025, é o primeiro levantamento nacional representativo sobre a percepção da população em relação à prevenção do câncer.
Fatores de Risco Reconhecidos
Os dados indicam que, apesar da falta de conhecimento, até 40% dos casos de câncer poderiam ser evitados com mudanças de comportamento e redução da exposição a fatores de risco. O tabagismo é amplamente reconhecido, com 90,5% da população ciente de seu papel como fator de risco. Outros fatores como herança genética e exposição excessiva ao sol também são bem reconhecidos, com 89,4% e 88,3% de reconhecimento, respectivamente.
Desconhecimento sobre Outros Fatores
No entanto, fatores igualmente importantes, como o excesso de peso, são identificados apenas por 54,1% da população. Enquanto 55,3% reconhecem as bebidas adoçadas como um risco, apenas 27,5% veem a carne vermelha dessa maneira. Esse cenário é preocupante, especialmente em um país que é um dos maiores produtores de gado do mundo.
Crenças Errôneas
A pesquisa também mostrou que 61% dos entrevistados acreditam que suplementos vitamínicos podem reduzir o risco de câncer, uma informação que não é respaldada por evidências científicas. A orientação é que os nutrientes necessários sejam obtidos através de uma alimentação saudável, rica em alimentos frescos e minimamente processados.
Hábitos Alimentares e Atividade Física
Em relação aos hábitos alimentares, 45% dos entrevistados afirmaram consumir alimentos ultraprocessados, enquanto 52,2% praticam alguma atividade física. A pesquisa também revelou que os jovens de até 24 anos têm os piores hábitos, sendo que 32,3% consomem ultraprocessados sem intenção de reduzir. Além disso, apenas 71,3% reconhecem o álcool como um fator de risco para vários tipos de câncer.
Necessidade de Mudanças
Os resultados indicam uma clara necessidade de campanhas que informem sobre fatores de risco menos conhecidos, além de políticas públicas que incentivem uma alimentação saudável e a prática de atividades físicas. A implementação de ações como taxação de ultraprocessados e aumento do acesso a serviços de saúde é essencial para converter a intenção da população em hábitos saudáveis.
