A fabricante sueca Saab revelou, nesta terça-feira (2), o Gripen F, a nova versão biposto do caça que atenderá à Força Aérea Brasileira (FAB). O desenvolvimento da aeronave contou com a colaboração da Embraer e outras empresas como AEL e Akaer, além da própria FAB, ao longo de cinco anos.
Uma parceria de sucesso
Durante a apresentação, Mikael Franzén, chefe de vendas da Saab, destacou que a cooperação entre as equipes suecas e brasileiras foi um fator crucial para o projeto. "Essa máquina não existiria sem nossos parceiros. É uma grande colaboração", afirmou Micael Johansson, presidente da Saab.
O evento ocorreu na fábrica da Saab em Linköping, na Suécia, com a presença do ministro da Defesa do Brasil, José Mucio, que enfatizou a importância da relação. "É uma colaboração que ultrapassa a relação entre cliente e fornecedor", disse o ministro, enquanto seu colega sueco, Pal Jonson, concordou com a afirmação.
Desafios técnicos do Gripen F
O Gripen F, que foi estendido em 66 cm em relação ao modelo monoposto, apresenta algumas modificações significativas. O modelo biplace, que não tinha nem mesmo um protótipo anterior, foi desenvolvido a partir de um pedido específico do Brasil, que buscava um caça com duas posições de pilotagem.
Embora tenha recebido um segundo cockpit, o Gripen F perdeu algumas capacidades, como o canhão de 27 mm e espaço para combustível, o que pode reduzir seu raio de combate em cerca de 10%, segundo especialistas. Johan Segertoft, chefe da unidade Gripen na Saab, comentou que o maior desafio foi garantir que o segundo piloto fosse totalmente independente durante as operações.
Futuro da aviação com drones
Além de suas funções tradicionais, o Gripen F será utilizado para operações mais complexas que envolvem o controle de drones, conhecidos como "loyal wingman". Esses robôs têm o potencial de multiplicar as capacidades de ataque das aeronaves em missões, conforme explicou Peter Nilsson, chefe da unidade de Programas Avançados da Saab.
A Saab, que já realizou voos controlados por inteligência artificial (IA), promete que essa tecnologia estará disponível para o Brasil. A atualização dos sistemas poderá ser feita rapidamente, reduzindo o tempo de implementação de anos para semanas.
Perspectivas para a frota brasileira
O Brasil adquiriu 36 caças Gripen em 2014, com um investimento equivalente a R$ 29,5 bilhões, dos quais R$ 16,5 bilhões já foram pagos. Até o momento, 11 unidades do modelo Gripen E estão em operação no país. O objetivo é formar uma frota de até 50 caças, embora as negociações estejam avançando lentamente devido a limitações orçamentárias.
A Saab e o Brasil se preparam para um futuro promissor com essa nova geração de caças, que representa um marco no setor aeroespacial e na colaboração militar entre os dois países.
