A Raízen, uma das principais produtoras de etanol do Brasil, confirmou na última sexta-feira (5) um acordo de reestruturação extrajudicial com a maioria de seus credores, evitando assim a recuperação judicial. O acordo foi aprovado por mais de 50% dos credores, que representam cerca de 75% das obrigações financeiras da empresa.

Acordo de Dívida e Aportes

O plano de reestruturação envolve a reestruturação de R$ 64,7 bilhões em dívidas. A Shell, principal acionista da Raízen, aportou R$ 3,5 bilhões, aumentando sua participação para aproximadamente 12%. Já Rubens Ometto, controlador da Cosan, investiu R$ 500 milhões por meio do fundo Aguassanta, garantindo sua influência na distribuidora de combustíveis.

Transformação de Dívidas em Ações

Parte significativa da dívida foi convertida em ações da empresa, com aproximadamente 45% do endividamento transformado em equity, a um valor de R$ 0,25 por ação. O restante das dívidas será reestruturado através de novos títulos de dívida, com opções de pagamento com deságio e antecipação em dinheiro para pequenos credores.

Comprometimento dos Acionistas

De acordo com a XP Investimentos, o investimento da Shell e de Aguassanta reflete um forte compromisso dos acionistas com a recuperação da empresa. A incerteza sobre o papel de Rubens Ometto na Raízen permanece, pois ele decidiu fazer investimentos através de seu fundo familiar.

Histórico do Endividamento

O elevado endividamento da Raízen é atribuído, em parte, à busca por novas tecnologias, como a produção de etanol de segunda geração. Este tipo de biocombustível, feito a partir de resíduos vegetais, é mais caro e complexo de produzir, o que contribuiu para a crise financeira enfrentada pela empresa.

Desinvestimentos e Varejo

Para lidar com a situação, a Raízen teve que se desfazer de ativos, incluindo uma usina histórica em Ribeirão Preto. Além disso, a empresa tentou entrar no mercado de varejo com a marca Oxxo, mas a iniciativa não obteve o sucesso esperado, resultando no encerramento da joint venture em 2025.