Com a evolução do mercado segurador brasileiro, o CPF do segurado passou a não ser mais a única referência na análise de risco para a contratação de seguros. As seguradoras estão adotando novas metodologias que consideram não apenas o comportamento do cliente, mas também as características das pessoas que residem na mesma casa.
Nova abordagem de análise de risco
Segundo Ricardo Thomaziello, diretor de analytics da Serasa Experian, uma das áreas ainda pouco exploradas é a combinação de dados financeiros e domiciliares. Ele ressalta a importância de entender quem mora com o cliente e como essas interações podem impactar o risco individual. Em uma recente palestra no Insurtech Brasil 2026, ele afirmou que cerca de 30% dos clientes têm vínculos que não estavam sendo considerados nas avaliações de risco.
Conceito de household
A abordagem chamada household visa mapear as conexões entre os moradores de um mesmo endereço. Thomaziello destacou que essa análise pode melhorar a percepção de risco, tornando um cliente de melhor perfil ainda mais vantajoso e ajustando a avaliação dos de maior risco.
Transformação no uso de dados
Essa mudança reflete uma transformação mais ampla no uso de informações pelas seguradoras. Em vez de depender apenas de dados cadastrais, as empresas estão ampliando seu leque de análise para incluir sinais comportamentais, o que pode levar a uma melhor compreensão do perfil do cliente. Luís Henrique Fontes, CTO da MAG Seguros, afirma que os dados deixaram de ser meramente analíticos e tornaram-se uma infraestrutura estratégica.
Desafios de integração de dados
Porém, a integração dessas informações ainda apresenta desafios. João Merlin, diretor de automóvel da Zurich Seguros, aponta que o foco já não é mais a geração de dados, mas sim como fazê-los dialogar entre diferentes fontes. Ele questiona a capacidade de correlacionar informações de setores variados e garantir que elas sejam interoperáveis.
Benefícios para seguradoras e consumidores
Os especialistas acreditam que a utilização de dados mais abrangentes pode beneficiar tanto as seguradoras quanto os consumidores. A expectativa é que, com modelos mais sofisticados, seja possível aprimorar a precificação, aumentar a aceitação de clientes e criar produtos mais alinhados às necessidades de cada perfil. Thomaziello ressalta que há um grande potencial para o setor de seguros avançar nessa área nos próximos anos.
