A proteção contra fraudes, antes vista apenas como uma necessidade operacional, agora se tornou um elemento estratégico na atração de clientes no sistema financeiro brasileiro. De acordo com uma pesquisa da FICO, 76% dos entrevistados consideram a capacidade de prevenção a fraudes como um dos três principais fatores na escolha de um banco, superando aspectos como experiência digital (70%) e taxas mais baixas (66%).

Segurança e Abertura de Contas

O estudo, que ouviu mil brasileiros, destaca que a percepção de segurança é um diferencial competitivo em um cenário de digitalização acelerada. Mais da metade dos participantes (57%) se mostrou mais disposta a abrir contas digitais do que no ano anterior, mas os processos de onboarding ainda apresentam desafios significativos.

Conforme a pesquisa, 38% dos consumidores desistem da abertura de contas digitais quando enfrentam processos de verificação de identidade que consideram demorados ou complicados. Essa fricção também afeta usuários já estabelecidos: 35% relataram que reduziram ou interromperam o uso de contas por dificuldades recorrentes em autenticações, e 33% desistiriam de solicitar empréstimos se as etapas de segurança fossem muito demoradas.

Desafios e Preocupações

Luis Silvestre, principal consultor de Fraude, Proteção e Compliance da FICO, ressalta que o grande desafio para os bancos é equilibrar a proteção contra fraudes com uma boa experiência digital. Instituições que conseguirem implementar segurança robusta sem complicar o uso tendem a se destacar.

A pesquisa também revela que a preocupação dos brasileiros com fraudes é maior que os casos efetivamente registrados. Embora apenas 4% tenham certeza de que tiveram suas identidades usadas por criminosos, 21% acreditam que isso pode ter ocorrido. Os principais medos incluem a abertura de contas fraudulentas e golpes de engenharia social que induzem transferências para criminosos.

Engenharia Social e Fraudes de Primeira Parte

A engenharia social se mostra como uma das ameaças mais significativas, com 73% dos entrevistados afirmando ter recebido mensagens suspeitas. Além disso, 11% admitiram já ter transferido dinheiro a criminosos por terem sido enganados. O estudo também aponta um aumento nas fraudes de primeira parte, onde o próprio cliente fornece informações falsas.

Um em cada cinco brasileiros considera aceitável inflar a renda ao abrir uma conta, e 23% acreditam que isso pode ser justificável em certas situações. No setor imobiliário, 24% dos entrevistados veem a alteração de dados financeiros como aceitável para facilitar a aprovação de financiamentos.

Adoção de Tecnologias Biométricas

Por fim, o estudo destaca a crescente aceitação de tecnologias biométricas para autenticação. Para 65% dos consumidores, o reconhecimento facial é visto como um mecanismo seguro para pagamentos digitais, enquanto 48% preferem a autenticação por impressão digital. Apenas 16% confiam em métodos tradicionais que utilizam apenas usuário e senha.

Esses resultados refletem uma tendência crescente no setor financeiro: à medida que as ameaças digitais evoluem, a segurança se torna um elemento essencial que impacta a experiência do cliente, a confiança na marca e os índices de aquisição e retenção de usuários.