A mortalidade materna no Brasil é uma questão crítica que exige atenção imediata por parte das autoridades e da sociedade. De acordo com dados preliminares de 2024, a taxa de mortalidade materna é de 50,57 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos, um número que ultrapassa a meta estabelecida pelo país para 2030, que é de 30 mortes por 100 mil.

Conquistas e Desafios

A obstetra Rossana Pulcineli Vieira Francisco, presidente da Comissão Nacional Especializada de Mortalidade Materna da Febrasgo, destaca que as reduções na mortalidade têm sido mínimas. “Estamos há anos com números estáveis em relação à morte materna. A principal conquista foi a estruturação do Sistema Único de Saúde (SUS),” afirma Rossana, que participou do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia em Belo Horizonte.

Rede Aline e Mudanças Necessárias

A especialista menciona a Rede Aline, uma nova abordagem do Ministério da Saúde que visa aprimorar o atendimento a gestantes e recém-nascidos. Essa iniciativa inclui ambulatórios para gestação e puerpério de alto risco, que atenderão mulheres com condições de saúde além da gravidez. No entanto, esses serviços ainda estão em fase de implementação.

Desigualdade nas Estatísticas

As estatísticas de mortalidade materna no Brasil ainda são alarmantes. A meta revisada de 43 mortes por 100 mil nascidos vivos é um reflexo das diferenças regionais, com estados do Sul e Sudeste mantendo a meta de 30. Comparando com países desenvolvidos, como a Austrália, que têm taxas abaixo de 10, o Brasil ainda apresenta um cenário preocupante.

Causas Evitáveis e Vontade Política

Rossana enfatiza que muitas mortes de mães brasileiras são causadas por condições evitáveis, como hipertensão e hemorragias, e critica a falta de vontade política para combater esse problema. “É essencial que os políticos incluam o combate à mortalidade materna em suas agendas,” defende a obstetra, ressaltando a necessidade de investimentos na saúde da mulher.

Recomendações para Melhorar a Assistência

Para reduzir essa taxa, Rossana sugere a formação de equipes completas de atendimento. Isso incluiria dois obstetras, um anestesista, neonatologistas e enfermeiras obstétricas disponíveis 24 horas por dia. “Sem essas condições, é impossível oferecer um atendimento adequado em maternidades,” conclui.