O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se manifestou nesta quinta-feira (4) em Paris sobre as negociações entre Brasil e Estados Unidos, em resposta à proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Vieira enfatizou que o Brasil não deve ser alvo dessas tarifas e que as conversas com os EUA devem continuar.

Diálogo com os EUA

Em um encontro informal com Jamieson Greer, representante para o Comércio Exterior dos EUA, Vieira expressou a intenção do Brasil de manter canais diplomáticos abertos. Ele ressaltou que, apesar da proposta de tarifas, o Brasil está disposto a dialogar e não cogita medidas de retaliação neste momento.

Durante a conversa, Greer informou que as discussões estavam sendo positivas, ao que Vieira respondeu que o Brasil também está interessado em manter o diálogo, especialmente após a divulgação de relatórios sobre investigações comerciais. A expectativa é que as negociações avancem, mesmo sem uma data definida para um encontro entre os presidentes Lula e Trump durante a cúpula do G7.

Argumentos contra as tarifas

O chanceler brasileiro afirmou que o Brasil já respondeu de maneira robusta durante as consultas da Seção 301 e que forneceu todas as informações solicitadas. Ele contestou a alegação americana de que o Brasil teria superávit na relação comercial, destacando que, na verdade, o país enfrenta um déficit acumulado que se aproxima de US$ 450 bilhões nos últimos 15 anos.

Vieira reiterou que o Brasil está comprometido em manter o diálogo, salientando que já houve um histórico de reuniões e que o governo está sempre aberto a negociações. Segundo ele, o Brasil não considera medidas de proteção ao comércio americano e está focado em continuar as conversas para resolver a questão tarifária.

Participação no G7

O presidente Lula confirmou sua participação na cúpula do G7, que ocorrerá na França entre os dias 15 e 17 deste mês, onde estarão presentes líderes de grandes economias, incluindo Donald Trump. Vieira acredita que haverá oportunidades para interações bilaterais, embora nenhum encontro entre Lula e Trump esteja confirmado até o momento.

Acordos Comerciais e Relações Internacionais

Questionado sobre a relevância do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, Vieira afirmou que o tratado é estratégico e já está firmado, destacando a importância de diversificar parcerias comerciais. Ele também mencionou que está mantendo contatos com outros países, incluindo Reino Unido e Japão, além de ter participado recentemente de um encontro na China.

Apesar das dificuldades nas negociações tarifárias, Vieira expressou otimismo e afirmou que as discussões continuarão. Ele retornará ao Brasil para reuniões com os ministérios envolvidos, mantendo o foco no diálogo e na busca por soluções.