Integrantes da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão focados na urgência da aprovação da PEC da Segurança no Senado, especialmente após a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Essa decisão foi um revés para o governo, que buscava evitar tal classificação.

Desafios Políticos no Senado

A aprovação da PEC, considerada uma prioridade, é vista como uma tentativa do governo Lula de marcar seu espaço na área da segurança pública, um setor no qual a esquerda historicamente enfrenta dificuldades. Segundo pesquisa Datafolha, essa é a área com a pior avaliação do governo, recebendo apoio de apenas 16% dos eleitores.

Após o anúncio dos EUA, o governo brasileiro pressiona por uma articulação política mais intensa no Senado, visando garantir a aprovação da proposta antes do recesso legislativo, que começa em 18 de julho. A PEC da Segurança foi aprovada na Câmara dos Deputados em 4 de março, mas ainda aguarda tramitação no Senado, liderado por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que tem se mostrado resistente.

Apelos Públicos e Diálogo com o Senado

Lula já fez apelos diretos a Alcolumbre para que coloque a PEC em votação, afirmando que sua aprovação é essencial para resolver a questão da segurança no país. Durante uma participação no programa Sem Censura, o presidente reiterou a necessidade de aprovar essa medida para enfrentar o crime organizado.

Além disso, Lula anunciou que, após a aprovação da PEC, pretende criar o Ministério da Segurança Pública, destacando que a solução para o combate ao crime não deve depender de ajuda externa, mas sim de ações legislativas internas.

Expectativas e Pressões Internas

Um ministro do governo, que preferiu permanecer anônimo, ressaltou a necessidade de pressionar o Congresso para a aprovação rápida da PEC, especialmente em resposta à nova classificação das facções. Ele acredita que a urgência da medida aumentou consideravelmente com a decisão dos EUA.

José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, também mencionou que o governo está focado em aprovar três matérias essenciais até o recesso: o projeto de mineração crítica, a PEC da 6×1 e a PEC da Segurança. Guimarães tem trabalhado para melhorar a relação entre o Palácio do Planalto e o Senado.

A Pressa do Governo e o Calendário Eleitoral

O governo está ciente da necessidade de aprovar essas matérias rapidamente, pois o ano eleitoral limita a atividade do Congresso no segundo semestre. A proximidade de feriados e festividades também pode reduzir a presença dos parlamentares em Brasília, criando um cenário desafiador para a discussão da PEC da Segurança.