As oito concessões ferroviárias planejadas pelo governo federal para serem leiloadas em 2026 enfrentarão atrasos significativos, com a maioria dos projetos sendo adiados para 2027. A meta inicial do Ministério dos Transportes era disponibilizar uma carteira de projetos ferroviários que totalizaria R$ 140 bilhões em investimentos.

Novos cronogramas

A agenda divulgada anteriormente previa a publicação de editais e leilões em intervalos de três meses. Contudo, esses prazos não foram cumpridos, resultando em um adiamento geral dos projetos. Apenas uma malha, a norte da Ferrovia Norte-Sul, teve seu edital previsto para dezembro, com leilão marcado para março de 2027.

Os atrasos são atribuídos a diversos fatores, incluindo a necessidade de revisão de estudos técnicos e a tramitação burocrática nos órgãos responsáveis, como a ANTT e o TCU. O Ministério dos Transportes ressaltou que esses atrasos refletem a complexidade da nova política ferroviária, que busca garantir maior segurança jurídica e financeira nos projetos.

Impactos nas malhas

Dentre os projetos mais afetados, três da antiga Malha Sul, que requerem reconstrução quase total, tiveram seus leilões adiados de dezembro para março de 2027. A extensão norte da Ferrovia Norte-Sul também foi postergada em sete meses, agora prevista para outubro de 2027.

Outros projetos, como o Corredor Oeste-Leste (Fico-Fiol) e a Ferrogrão, foram reprogramados para leilões em dezembro, aumentando a incerteza sobre o cronograma geral. O Fico-Fiol, que abrange 1.647 quilômetros, e a Ferrogrão, com 933 quilômetros, tinham leilões inicialmente agendados para agosto e setembro, respectivamente.

Novas propostas e garantias

Apesar dos atrasos, o governo apresentou novos prazos para investidores e deve lançar pelo menos cinco editais no segundo semestre deste ano, incluindo os de EF-118, Malha Oeste, Ferrogrão, Fico-Fiol e Minas-Rio. O novo modelo de concessão está sendo estruturado em colaboração com diversos órgãos, visando atrair investimentos e garantir a viabilidade dos projetos.

O especialista Olivier Girard, da Macroinfra, comentou que os atrasos não são surpreendentes devido à complexidade dos projetos e a necessidade de revisões. Ele enfatizou a importância de um processo bem estruturado para garantir a atração de investidores, evitando leilões sem propostas.