O sistema de pagamentos Pix, lançado pelo Banco Central do Brasil em 2020, gerou discussões intensas, incluindo críticas e defesas de figuras políticas. No entanto, antes da sua implementação, diversos países africanos já estavam à frente na inovação de pagamentos digitais, desenvolvendo soluções para atender populações sem acesso a serviços bancários.
O pioneirismo do M-Pesa no Quênia
O M-Pesa, criado em 2007 pela Safaricom em parceria com a Vodafone, é um exemplo emblemático. No Quênia, onde a maioria da população era excluída do sistema bancário tradicional, o M-Pesa permitiu que usuários fizessem depósitos e transferências via mensagens de celular. Essa inovação rapidamente se tornou essencial para a economia, sendo utilizada em salários, compras e remessas.
Atualmente, o M-Pesa conta com mais de 35 milhões de usuários ativos no Quênia, representando cerca de 90% da população adulta do país. Entretanto, o sucesso trouxe desafios, como preocupações com a privacidade e a proteção de dados dos usuários, além do poder de mercado da Safaricom.
A evolução dos pagamentos na Nigéria
Na Nigéria, a criação do NIBSS Instant Payment (NIP) em 2011 trouxe uma infraestrutura que conecta bancos e fintechs em tempo real, semelhante ao Pix. Em 2024, o NIP processou cerca de 10,5 bilhões de transações, movimentando aproximadamente 700 bilhões de dólares. Essa evolução reflete o esforço do Banco Central em digitalizar os pagamentos e reduzir o uso de dinheiro físico.
Contudo, o crescimento do sistema também trouxe um aumento em fraudes eletrônicas, levantando discussões sobre segurança cibernética e proteção ao consumidor. Apesar dos desafios, o NIP é visto como um modelo avançado na África.
O Telebirr e a inclusão na Etiópia
A Etiópia, por sua vez, lançou em 2021 o Telebirr, uma plataforma desenvolvida pela estatal Ethio Telecom, que já atingiu mais de 50 milhões de usuários. Esse crescimento é significativo em um país com cerca de 120 milhões de habitantes e representa uma tentativa de inclusão financeira e digitalização da economia.
No entanto, críticas surgem em relação à forte participação estatal no sistema e a dificuldade de integração com o setor privado, levantando questões sobre a concentração de dados financeiros sob controle governamental.
Modelos diversos de sucesso
As experiências do Quênia, Nigéria e Etiópia demonstram que não há um único caminho para o sucesso em pagamentos digitais. O M-Pesa transformou a inclusão financeira através do celular, enquanto o NIP estabeleceu uma infraestrutura de pagamentos instantâneos moderna. O Telebirr, por sua vez, busca repetir esses resultados em um dos países mais populosos da África.
Embora o Pix tenha conquistado reconhecimento global, a trajetória dos pagamentos digitais na África revela que inovações significativas e transformadoras podem surgir de contextos distintos, destacando o papel crucial da tecnologia na inclusão social e no desenvolvimento econômico.
