O cenário das importações de dispositivos médicos no Brasil gerou preocupação entre as empresas do setor. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (Abimo), as importações devem ultrapassar a marca de US$ 11 bilhões até 2025, conforme apontado no Relatório Setorial 2026 da entidade.
Desafios da Indústria Nacional
A Abimo destaca que o crescimento nas importações não se deve apenas à variação do câmbio, mas também a limitações estruturais enfrentadas pela indústria nacional, especialmente em segmentos que demandam maior tecnologia. A produção local atualmente cobre cerca de 35% do consumo aparente de dispositivos médicos no Brasil.
Com o aumento dos investimentos por parte de hospitais e clínicas em equipamentos de diagnóstico, monitoramento e digitalização, a demanda por tecnologia médica tem crescido em um ritmo que supera a capacidade de produção da indústria nacional. Isso evidencia um descompasso entre a oferta e a demanda no mercado.
Pressão nas Cadeias Produtivas
A Abimo também menciona a pressão por uma reorganização das cadeias produtivas, um efeito colateral da pandemia de Covid-19. Países desenvolvidos têm adotado medidas para proteger sua produção nos setores de saúde e tecnologia, particularmente em relação a componentes críticos como semicondutores.
Em termos de produtividade, a indústria brasileira de dispositivos médicos alcançou uma média de aproximadamente R$ 354 mil por trabalhador formal em 2025. Esses números revelam a necessidade de investimentos em inovação e aumento da escala de produção.
Competitividade no Setor de Saúde
Márcio Bósio, diretor institucional da Abimo, ressalta que a discussão sobre a competitividade na saúde vai além das questões cambiais. Ele afirma que fatores como inovação, produtividade e capacidade tecnológica são essenciais para o fortalecimento da indústria nacional e para garantir um futuro mais sustentável no setor de dispositivos médicos.
