A recente investigação comercial dos Estados Unidos sobre práticas de comércio do Brasil pode ter repercussões imediatas, segundo Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil. A análise sugere a possibilidade de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, algo que pode impactar diretamente os exportadores. Barral, que também é sócio da consultoria BMJ, comentou que, mesmo que o resultado ainda não seja definitivo e passe por um período de consultas, a simples menção dessas tarifas já cria um clima de incerteza no mercado.

Impactos nas Exportações

De acordo com Barral, muitos produtores brasileiros estão optando por adiar suas exportações até que a situação se esclareça, temendo que a tarifa mais alta possa ser aplicada. "Vários exportadores temem que cheguem lá com a tarifa mais alta e vão restringir até que se tenha uma definição", explicou o ex-secretário em entrevista à BBC News Brasil.

Recomendações e Exceções

O relatório do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) recomenda tarifas de 25%, mas também inclui exceções. Contudo, se essas tarifas forem implementadas, alguns produtos brasileiros podem enfrentar taxas de até 35%, colocando-os em desvantagem competitiva em relação a outros países.

Contexto das Investigações

A investigação foi iniciada em julho de 2022, sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA investigar práticas que considerem injustas. O governo americano alegou que certas práticas brasileiras prejudicam o comércio norte-americano. Um dos focos é o sistema de pagamentos Pix, que, segundo o relatório, favorece deslealmente o Brasil em relação a serviços de pagamento eletrônico.

Críticas às Conclusões

Barral criticou a investigação, apontando que as conclusões são superficiais e não consideram a redução do desmatamento no Brasil, além de não levarem em conta os impactos negativos que essas tarifas podem ter sobre o consumidor e as cadeias produtivas americanas. Ele enfatizou que a importância do Brasil como fornecedor estratégico não foi devidamente avaliada.

Possíveis Retaliações

O ex-secretário também alertou que, se não houver negociação nos próximos 30 dias, o Brasil pode acionar a Lei de Reciprocidade, podendo aplicar tarifas ou outras retaliações contra produtos e empresas dos EUA. O governo brasileiro já iniciou um processo para isso, em resposta a tarifas previamente anunciadas por Donald Trump. A lei, sancionada em 2025, permite ao Brasil responder a medidas unilaterais de outros países.