A exportação de petróleo do Brasil registrou uma queda significativa em maio, com os embarques caindo pela metade em comparação ao mês anterior. Essa diminuição é atribuída a um imposto sobre exportação e a um aumento na demanda interna por combustíveis, conforme dados do governo e análises do setor.

Imposto e demanda interna

O imposto de exportação foi uma medida adotada pelo governo para mitigar os efeitos da alta nos preços do petróleo, que dispararam devido a conflitos internacionais. O barril Brent, que custava cerca de US$ 72 antes da guerra, chegou a quase US$ 120, levando o governo a buscar formas de controlar os preços.

Com a intenção de favorecer as refinarias locais, o governo aumentou a retenção do produto no mercado interno. Isso ocorreu em um momento em que o Brasil alcançou recordes de produção de petróleo, atendendo à demanda de países como China e Índia, que enfrentam dificuldades no transporte de petróleo pelo estreito de Hormuz.

Dados de exportação

Até a terceira semana de maio, a média de embarques caiu 52%, com 216,7 mil toneladas por dia útil. Se essa tendência continuar, o Brasil deverá fechar o mês com aproximadamente 4,5 milhões de toneladas, uma queda em relação às 8,2 milhões de toneladas exportadas em abril e 9,5 milhões em maio do ano passado.

O novo imposto de 12%, implementado em março, está afastando compradores e impactando negativamente o volume de exportações. A arrecadação gerada por esse imposto visa compensar renúncias fiscais e estimular a produção de derivados de petróleo no Brasil.

Impacto no consumo

O consumo interno também contribuiu para a diminuição das exportações, com a Petrobras operando próximo de sua capacidade máxima de refino. O aumento no processamento de petróleo para atender à demanda local resultou em uma menor quantidade disponível para exportação.

Segundo especialistas, a combinação do crescimento do consumo interno e a aplicação do imposto estão levando os produtores a destinar mais petróleo para o mercado interno, em vez de exportá-lo. Essa situação é ainda mais evidente em produtos como diesel e querosene de aviação, que são altamente demandados.

Contexto de produção

O Brasil vinha aumentando suas exportações de petróleo com a expansão da produção, especialmente em novos campos do pré-sal. A produção atingiu 4,25 milhões de barris por dia em março, um aumento de 17% em relação ao ano anterior, e as exportações chegaram a 10,1 milhões de toneladas, o segundo maior volume da história, antes do impacto do novo imposto.

A recente queda nas exportações também ocorreu após a Justiça ter suspendido uma liminar que isentava algumas petroleiras do imposto, enquanto a Petrobras optou por não contestar a taxa, destacando que a alta dos preços ajuda a minimizar os efeitos da nova cobrança.