A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou nesta terça-feira (2) uma previsão indicando uma elevada chance do fenômeno de El Niño ocorrer até o final de agosto. Este fenômeno climático natural pode trazer condições meteorológicas extremas, embora sua intensidade ainda seja incerta, conforme afirmou Wilfran Moufouma Okia, diretor de previsões climáticas da OMM.

Impactos Globais do El Niño

Segundo Okia, o El Niño provoca um aquecimento temporário que afeta diversas regiões do planeta, mesmo tendo sua origem nos trópicos. Ele destacou que, durante a ocorrência do fenômeno, regiões como o oeste da África, o Sahel, a África do Sul, a Austrália e o sudeste asiático podem enfrentar secas severas.

Por outro lado, áreas como o sudeste dos Estados Unidos e a zona do Pacífico equatorial podem experimentar chuvas intensas. “As reações ao El Niño variam de acordo com a localidade”, pontuou Okia.

Interação com Outros Fenômenos

O diretor da OMM acrescentou que o El Niño não se manifesta isoladamente, mas interage com outros fenômenos meteorológicos, o que pode potencializar ou reduzir sua força. Ele indicou que, de maneira geral, a previsão é de um episódio que pode oscilar entre moderado e forte.

Singularidade dos Episódios

“É crucial entender que cada episódio de El Niño é único. Um fenômeno considerado fraco pode ter repercussões severas dependendo do contexto local”, alertou Okia. Ele ressaltou que a OMM fornecerá suas conclusões para que os países e serviços meteorológicos nacionais possam ajustar as informações para suas realidades específicas.

Preparação e Resposta

Os modelos da OMM permitem previsões com até seis meses de antecedência, e Okia espera que os países utilizem esses dados para se prepararem adequadamente para o fenômeno. No entanto, ele observou que, em algumas situações, as consequências do El Niño superam a capacidade de resposta de um país, como foi o caso do episódio de 2023 e 2024, que impactou a economia mundial devido à redução das chuvas no Panamá.

Cooperação Internacional

Atualmente, a troca de informações entre países sobre o El Niño é mais eficaz. Okia mencionou que houve uma redução no número de vítimas durante o último episódio, sugerindo que os países estão mais preparados e aprenderam lições valiosas com eventos anteriores. Ele acredita que a colaboração, até mesmo entre nações em conflito, é fundamental para prever fenômenos com precisão global.