O fenômeno climático El Niño, que já está sendo monitorado por especialistas, promete trazer mudanças significativas para Minas Gerais neste ano. Com a expectativa de temperaturas acima da média, o estado poderá enfrentar um aumento no número de queimadas e uma possível escassez de chuvas, afetando diretamente a agricultura, especialmente a lavoura de café.

Impactos nas chuvas e temperatura

De acordo com o meteorologista da Cemig, Adelmo Antonio Correia, o El Niño pode resultar em um início tardio da estação chuvosa 2026/2027. Isso se deve à formação de um evento de forte intensidade, que pode alterar o padrão de chuvas em Minas, com períodos de secas intercalados por temporais isolados.

Além disso, mesmo com a previsão de chuvas, as condições climáticas indicam que a partir de julho, o estado enfrentará secas prolongadas, aumentando o risco de queimadas em várias regiões. A Cemig está intensificando o monitoramento do fenômeno e realizando reuniões semanais para acompanhar seu desenvolvimento.

Setores afetados

Os impactos do El Niño não se restringem apenas à agricultura. O setor elétrico também deve se preparar para as consequências do fenômeno, que pode causar atrasos no início da temporada de chuvas, afetando a geração de energia. A Cemig já alertou suas áreas de Distribuição e Transmissão sobre a possibilidade de mais temporais e a incidência de raios, que podem danificar a infraestrutura elétrica.

Adicionalmente, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também expressou preocupações em relação ao impacto do El Niño no sistema elétrico. A escassez de chuvas pode aumentar a dependência de termelétricas, elevando os custos de energia para consumidores e indústrias.

Expectativas para o futuro

Embora a intensidade exata do fenômeno ainda não possa ser prevista, os modelos meteorológicos atuais indicam que Minas Gerais pode experimentar calor intenso e ondas de calor frequentes. As temperaturas deverão permanecer acima da média nos próximos meses, alterando o comportamento das chuvas e promovendo condições para mais descargas atmosféricas.

Os setores econômicos, em especial os eletrointensivos, devem estar preparados para os efeitos cascata que a alta no custo da energia pode trazer, impactando não apenas a conta de luz, mas também o preço final dos produtos comercializados.