O ronco noturno é frequentemente considerado um hábito inofensivo, mas pode sinalizar problemas de saúde mais sérios. Um estudo realizado pela Universidade Flinders, na Austrália, e publicado em 2024, sugere que a roncopatia está relacionada ao aumento da pressão arterial, principalmente em homens de meia-idade que estão acima do peso e apresentam sinais de apneia obstrutiva do sono.

A pesquisa sobre ronco e hipertensão

Os pesquisadores acompanharam 12.287 indivíduos durante cerca de seis meses para investigar a conexão entre o ronco e a hipertensão. Os participantes tiveram o sono monitorado por sensores instalados sob os colchões, que mediam o tempo roncando e identificavam sinais de apneia do sono. A pressão arterial dos voluntários também foi analisada ao longo do estudo.

Os resultados mostraram que 20% dos participantes apresentavam hipertensão não controlada. Aproximadamente 29% dos indivíduos roncavam por mais de 10% do tempo de sono, enquanto 14% roncavam por mais de 20%. Os dados indicam que aqueles que roncavam por mais tempo tinham quase o dobro do risco de desenvolver hipertensão não controlada, mesmo considerando fatores como idade, sexo e índice de massa corporal.

A visão do especialista

Para entender melhor as implicações dos achados, a coluna Claudia Meireles entrevistou o cardiologista Firmino Haag, do Hospital Albert Sabin. Ele explica que o ronco frequente, especialmente quando acompanhado de pausas respiratórias, aumenta a atividade do sistema nervoso simpático, resultando em quedas nos níveis de oxigênio e, consequentemente, em elevações da pressão arterial.

Além de sua relação com a hipertensão, Haag destaca que o ronco deve ser visto como um sinal de alerta. Ele pode refletir obstruções nas vias aéreas superiores, afetando diretamente o coração, o cérebro e o metabolismo. Apesar de nem todo ronco indicar um problema sério, o especialista recomenda atenção, especialmente quando ocorre de forma frequente ou intensa.

Quando buscar ajuda médica

O cardiologista alerta que o ronco pode estar associado à apneia obstrutiva do sono, uma condição que provoca pausas na respiração e pode elevar os riscos cardiovasculares. Nesses casos, o paciente pode apresentar hipertensão resistente, arritmias e um maior risco de infarto e AVC.

Se o ronco for intenso e persistente, ou se vier acompanhado de outros sintomas, como sonolência durante o dia, tosses noturnas ou engasgos, é essencial procurar um especialista. A assistência médica é vital em situações de ronco alto e crônico, especialmente para aqueles com hipertensão de difícil controle e diabetes.