Um novo estudo nacional revela que as mulheres negras no Brasil apresentam quase o dobro do risco de morte materna em comparação às mulheres brancas. Entre os anos de 2000 e 2020, foram registradas 40.907 mortes maternas, com 60% ocorrendo entre mulheres pretas e pardas, evidenciando desigualdades raciais na assistência à saúde.
Desigualdades Persistentes
A mortalidade materna no país continua sendo um problema alarmante, refletindo disparidades raciais, sociais e regionais. A enfermeira Giovana Aparecida Gonçalves Vidotti, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e autora do estudo, destaca que as desigualdades observadas não diminuíram ao longo dos anos, revelando um problema não apenas assistencial, mas também estrutural.
Causas da Mortalidade Materna
As principais razões para as mortes maternas no Brasil, conforme o estudo, são condições obstétricas mal definidas (29,9%), hipertensão durante a gravidez (21,3%), complicações no parto (15,2%) e no pós-parto (13,2%). É importante notar que quase 47% das mortes ocorreram no pós-parto imediato, indicando um período crítico para a saúde das mulheres.
A Influência do Racismo Estrutural
O estudo também ressalta que mulheres indígenas enfrentam um risco de morte materna mais de duas vezes maior que o das brancas. O racismo estrutural impacta diretamente o atendimento, desde o acesso aos serviços até a qualidade do cuidado recebido, fazendo com que queixas de mulheres negras e indígenas sejam frequentemente desvalorizadas.
Desafios no Pré-Natal
Embora a cobertura de pré-natal no Brasil seja considerada alta, a qualidade desse acompanhamento é um desafio. O ideal seria realizar entre 15 e 16 consultas durante a gestação, mas muitas mulheres têm apenas cerca de oito atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e algumas iniciam o pré-natal tardiamente.
Fatores Econômicos e Regionais
Questões econômicas e sociais agravam a situação, com a baixa escolaridade das mulheres associada a um maior risco de morte materna. Regiões como Norte e Nordeste do Brasil apresentam os piores indicadores de mortalidade, reforçando a necessidade de políticas públicas direcionadas para melhorar a assistência à saúde materna.
Próximos Passos
A pesquisa continuará a ser aprofundada para identificar soluções eficazes que possam auxiliar na formulação de políticas públicas que visem a redução das desigualdades raciais e a melhoria da saúde materna no Brasil.
