Durante uma aula do curso Filosofias da Tecnologia, Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, discutiu os principais desafios da inteligência artificial (IA). Segundo ele, a IA se distingue das revoluções tecnológicas anteriores por operar predominantemente sobre a linguagem, alterando assim a forma como interagimos com a educação, o trabalho e os negócios.
A importância da capacidade crítica
Cortiz enfatizou que, embora a IA possa melhorar a produtividade e a qualidade das tarefas, isso não necessariamente implica em uma maior compreensão. O verdadeiro desafio, segundo ele, é desenvolver a capacidade crítica que permita a indivíduos e organizações interpretar, validar e questionar as respostas geradas pelos sistemas de IA.
O paradoxo da performance
Outro ponto central abordado pelo professor foi o chamado paradoxo da performance. Ele alertou para o risco de confundir a eficiência gerada pela IA com aprendizado genuíno. À medida que os sistemas se tornam mais avançados, cresce a tendência de delegar não apenas tarefas, mas também o raciocínio a essas máquinas, resultando em uma dependência cognitiva perigosa.
Desenvolvendo a metacognição
Cortiz propôs que a solução para essa dependência está na metacognição, que é a habilidade de refletir sobre o próprio pensamento. Questionar as fontes de informação e validar as respostas se torna uma competência essencial em um mundo de interfaces conversacionais e hiperpersonalização, especialmente para líderes e organizações.
Previsões tecnológicas e seus desafios
O professor também destacou a dificuldade histórica em prever os impactos de tecnologias disruptivas. Ele mencionou que a previsibilidade em tecnologia é muitas vezes falha, citando o exemplo de como a internet foi inicialmente subestimada em seu potencial transformador.
Geopolítica e IA
Por fim, Cortiz discutiu os desdobramentos geopolíticos da inteligência artificial, abordando como a infraestrutura computacional, semicondutores e soberania digital se tornaram centrais nas disputas econômicas e políticas contemporâneas. Compreender esses efeitos sistêmicos é, segundo ele, uma competência estratégica imperativa para qualquer organização.
