O recente fechamento do Estreito de Hormuz, em decorrência do conflito no Irã, trouxe a questão da importação de fertilizantes para o primeiro plano da agenda do chanceler brasileiro, Mauro Vieira. Durante sua visita a Pequim, que ocorreu no início desta semana, ele destacou a importância de garantir o abastecimento desses insumos para a próxima safra de verão, diante do aumento significativo nos preços.
Estratégia de Diversificação
Essa movimentação de Vieira segue a linha de ações iniciadas em maio, quando o ministro visitou o Uzbequistão e o Cazaquistão para discutir a aquisição de fertilizantes. O governo brasileiro tem se esforçado para diversificar suas fontes de importação e reduzir a dependência de poucos países, especialmente em tempos de instabilidade geopolítica.
Na China, o chanceler se reuniu com o vice-líder Han Zheng e o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, onde o abastecimento de fertilizantes foi um dos principais tópicos discutidos. O objetivo é assegurar que o Brasil consiga suprir suas necessidades antes do início da principal safra agrícola do país, evitando assim a escalada dos preços.
Impacto do Conflito
Dados do Banco Mundial revelam que, apenas no primeiro trimestre de 2026, os preços dos fertilizantes subiram 12%, atingindo em abril o maior patamar desde 2022. Espera-se que este ano a alta chegue a 30%, segundo informações da instituição. Essa elevação é alarmante, já que o Brasil depende fortemente da importação de fertilizantes, com 93% dos insumos utilizados na agricultura vindo do exterior.
A ureia, um fertilizante nitrogenado essencial, foi um dos produtos mais afetados pela crise, já que sua produção depende do gás natural, que também teve seus preços elevados. Este insumo é crucial para o cultivo de milho, cana-de-açúcar e pastagens, o que gera preocupação também entre os pecuaristas.
Dependência e Riscos
No último ano, a China se destacou como o principal fornecedor de fertilizantes ao Brasil, representando 26% das importações, seguida pela Rússia, que respondeu por 25%. No entanto, a relação com a China traz riscos, uma vez que o país possui um histórico de restrições às exportações para assegurar sua segurança alimentar.
Em 2021, quando os preços estavam em alta, o governo chinês orientou as principais empresas do setor a priorizar o abastecimento interno, o que resultou em promessas de suspensão das exportações. Além disso, novas exigências de certificação para envios de fertilizantes foram implementadas, dificultando ainda mais as vendas externas.
Reações do Setor
Fontes anônimas do setor relataram às agências Reuters e Bloomberg que, após a intensificação do conflito no Irã, a China teria começado a restringir a exportação de determinados fertilizantes e a aumentar as inspeções alfandegárias. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) publicou um documento alertando sobre os custos derivados de conflitos, enfatizando a necessidade de o Brasil diversificar fornecedores e fortalecer alternativas produtivas e tecnológicas.
