A confiança das mulheres nas instituições encarregadas de protegê-las da violência continua em níveis preocupantes no Brasil, conforme revela uma pesquisa recente do Datafolha. Apenas 17% das entrevistadas afirmaram confiar plenamente na Justiça para lidar com casos de violência, enquanto 63% demonstraram pouca confiança e 19% não confiam de forma alguma.
Desconfiança nas instituições
Os números em relação à polícia seguem padrões semelhantes: 19% das mulheres confiam muito, 63% confiam pouco e 17% não confiam. Além disso, um dado alarmante mostra que 37% das mulheres que relataram ter sofrido agressões graves no último ano não tomaram nenhuma atitude após a violência.
Percepção masculina sobre segurança
Em comparação, entre os homens, 31% afirmaram confiar muito na polícia para proteger as mulheres, e 23% confiam na Justiça. A pesquisa, encomendada pelo Movimento Mulher 360, foi realizada entre 6 e 11 de abril com 2.004 pessoas de todas as regiões do Brasil, e possui uma margem de erro de dois pontos percentuais para o total da amostra.
Aumento da violência
Outro dado relevante que a pesquisa revelou é que 89% dos participantes acreditam que os casos de violência contra a mulher aumentaram no último ano. Além disso, 71% dos entrevistados afirmam que as mulheres estão em maior risco dentro de casa do que fora.
Complexidade da denúncia
Margareth Goldenberg, diretora-executiva do Movimento Mulher 360, ressalta que esses dados refletem uma mudança na percepção da violência contra a mulher, que não é mais vista apenas como um problema privado, mas como uma questão central de segurança pública. No entanto, a falta de confiança nas instituições é uma barreira que impede muitas mulheres de buscar ajuda.
Culpabilização das vítimas
A pesquisa também revela que a culpabilização das vítimas ainda é uma questão presente na sociedade brasileira. Seis em cada dez entrevistados concordam que muitos casos de violência são resultado de escolhas erradas das mulheres ao escolherem seus parceiros. Isso demonstra uma transferência da responsabilidade da violência do agressor para a vítima, dificultando ainda mais a denúncia e o apoio às mulheres agredidas.
Reconhecimento da violência
Goldenberg destaca que, embora haja um avanço no reconhecimento das formas mais graves de violência, ainda há dificuldades em identificar comportamentos que podem preceder esses atos. Por exemplo, 45% dos entrevistados não consideram violento impedir que uma mulher saia sozinha, e 41% não veem problemas no controle das amizades da companheira. Em contraste, 94% classificam a humilhação pública como violência.
