O fenômeno climático conhecido como El Niño já está se formando nas águas do oceano Pacífico, segundo José Marengo, doutor em meteorologia e membro do IPCC. O especialista destaca que, embora o padrão de aquecimento seja evidente, a intensidade do fenômeno ainda é incerta.

Previsões e riscos

Estamos em junho, e apesar de ser cedo para fazer previsões concretas, Marengo alerta que o pico do El Niño deve ocorrer entre novembro e dezembro. Modelos climáticos sugerem um aquecimento das águas do Pacífico Central de até 4°C, o que poderia caracterizar um El Niño “super forte”. Isso levanta preocupações sobre a possibilidade de 2026 superar os recordes globais de temperatura.

Efeitos das mudanças climáticas

Os efeitos do El Niño são amplificados pelas mudanças climáticas, como evidenciado em 2024, o ano mais quente já registrado. Naquele ano, o fenômeno resultou em diversas catástrofes climáticas ao redor do mundo, evidenciando a interconexão entre os eventos meteorológicos e as alterações climáticas.

Rejeição ao alarmismo

Marengo critica a disseminação de informações alarmistas sobre o fenômeno, que ele considera prejudicial à compreensão pública. O termo 'El Niño Godzilla' e a dramatização de possíveis cenários catastróficos podem desviar a atenção do que realmente importa: a preparação e a percepção de risco frente a desastres.

A importância da conscientização

O meteorologista enfatiza que o entendimento da população sobre os riscos é fundamental para a eficácia das medidas preventivas. Não adianta ter avançadas tecnologias de previsão se a sociedade não assimilar a mensagem sobre os perigos e as ações necessárias.

Medidas em andamento

A memória de desastres recentes no Brasil tem levado a uma maior conscientização entre governantes e comunidades. O Rio Grande do Sul, por exemplo, está acelerando obras para mitigar os impactos de enchentes, enquanto Santa Catarina permanece em alerta. Além disso, ações estão sendo planejadas em várias regiões do país para enfrentar incêndios florestais e altas temperaturas.