O sistema de pagamentos instantâneos conhecido como Pix, amplamente promovido por aliados de Jair Bolsonaro como uma conquista de seu governo, na verdade tem suas raízes em gestões anteriores. Embora tenha sido lançado em novembro de 2020, sob a administração de Bolsonaro, sua concepção remonta ao governo de Michel Temer.
Concepção e Desenvolvimento do Pix
O Banco Central do Brasil foi o responsável pelo planejamento, desenvolvimento e implementação do Pix, um projeto que levou mais de dois anos para ser estruturado. A ideia inicial surgiu em maio de 2018, quando a Portaria nº 97.909 foi publicada, criando o Grupo de Trabalho para Pagamentos Instantâneos (GT-PI), que buscava a criação de um sistema nacional para transferências em tempo real.
Embora o nome Pix ainda não existisse, a proposta previa uma infraestrutura operada pelo Banco Central, funcionando 24 horas por dia, todos os dias da semana. O grupo de trabalho contou com a participação de mais de 130 representantes do setor financeiro e de tecnologia, que contribuíram para moldar as bases do novo sistema.
Marco Histórico no Desenvolvimento
Em dezembro de 2018, já nos últimos dias do governo Temer, foi aprovado o Comunicado nº 32.927, que consolidou os requisitos do Pix e designou o Banco Central como a entidade responsável pela sua implementação. Assim, a fase de construção tecnológica teve início em outubro de 2019, já sob a gestão de Jair Bolsonaro.
O Banco Central se encarregou de desenvolver a infraestrutura necessária e de regulamentar o funcionamento do sistema, que foi oficialmente nomeado de Pix em fevereiro de 2020. O termo foi escolhido por sua associação com tecnologia e comunicação instantânea entre os usuários.
Lançamento e Adoção pelo Público
O cadastramento das primeiras chaves Pix começou em outubro de 2020, e o sistema entrou em operação restrita em 3 de novembro, com a inauguração oficial acontecendo em 16 de novembro. Hoje, o Pix se tornou o principal meio de pagamento no Brasil, com mais de 170 milhões de usuários, representando cerca de 80% da população.
Desde seu lançamento, o sistema evoluiu com a adição de novas funcionalidades, como Pix Saque, Pix Troco e pagamentos por aproximação, promovendo uma substituição rápida de métodos tradicionais de pagamento como TED e DOC.
Disputa Política e Legado
Com as eleições se aproximando, aliados do ex-presidente tentam associar o legado do Pix a Jair Bolsonaro, apesar de sua concepção ter ocorrido em gestões anteriores. Em um evento recente, Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, exibiu um cartaz reivindicando o sistema, em resposta a declarações do atual presidente Lula. A questão ganhou destaque após os EUA citarem o Pix em um contexto de tarifas sobre produtos brasileiros, gerando debates entre os dois lados políticos sobre a importância do sistema.
