O Banco Central do Brasil (BC) divulgou recentemente os dados do Sistema de Informações de Crédito (SCR) referentes a abril de 2026, que mostraram uma leve desaceleração nas originações de crédito, além de um pequeno aumento nos índices de inadimplência. Analistas do mercado financeiro observam que esses dados revelam dinâmicas distintas entre os grandes bancos tradicionais e as fintechs emergentes.
Impacto das Fintechs no Mercado
Conforme análises da Goldman Sachs e do Itaú BBA, o aumento da inadimplência reflete mudanças estruturais no setor bancário nos últimos cinco anos. O BBA destaca que a expansão das fintechs e bancos digitais atraiu um novo segmento de clientes, frequentemente de maior risco, o que contribui para o aumento do endividamento familiar. Os documentos apontam que as fintechs já representam 55% da inadimplência em cartões de crédito, mesmo detendo 45% da carteira nacional desse produto.
Além disso, em empréstimos pessoais, as fintechs não S1, que não estão entre os grandes bancos, concentram 60% dos atrasos, mesmo representando 55% da carteira. Os analistas afirmam que, ao isolar os grandes bancos, nota-se uma melhora na qualidade do crédito, o que indica uma migração para linhas de crédito mais seguras.
O Papel do Nubank
O Nubank se destaca nesse cenário, pois, conforme análise do Goldman Sachs, teve um papel significativo na originação de crédito no primeiro trimestre de 2026. A fintech superou a originação líquida total do grupo S2, evidenciando sua contribuição para o crescimento do setor. Essa mudança é vista como um “rebalanceamento de carteira”, que pode servir como proteção contra possíveis deteriorações econômicas futuras.
Desempenho por Faixas de Renda
Os dados também revelam comportamentos distintos em relação à inadimplência por faixa de renda. Para cartões de crédito, a classe média registrou um aumento de 50 pontos-base, alcançando 8,8% de inadimplência. Na baixa renda, a taxa subiu para 13,6%, enquanto a alta renda teve uma leve deterioração para 4,1%. Em empréstimos pessoais, a baixa renda enfrentou uma alta de 110 pontos-base, atingindo 14,9%.
Desaceleração nas Concessões de Crédito
Os dados do Goldman Sachs indicam uma desaceleração nas concessões de crédito no grupo S2, com a originação líquida total caindo para R$ 2,9 bilhões em abril. Essa queda se deve à estabilidade na produção de cartões, enquanto os empréstimos pessoais sofreram uma redução significativa. No entanto, os analistas alertam que essa desaceleração não deve ser interpretada como um sinal de crise, mas sim como uma flutuação normal do mercado.
Melhorias em Outros Setores
Por outro lado, setores como crédito corporativo e empréstimos para micro, pequenas e médias empresas apresentaram melhoras, com uma redução média na inadimplência. As microempresas, por exemplo, tiveram uma queda de 170 pontos-base, fixando-se em 5,7%. No crédito rural, houve uma melhora de 250 pontos-base, embora os dados completos sobre financiamento imobiliário e rural ainda não tenham sido totalmente divulgados, conforme alerta o Goldman Sachs.
