O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) declarou que o governo brasileiro está empenhado em dialogar com as autoridades dos Estados Unidos para barrar a implementação de uma nova tarifa sobre produtos nacionais. A afirmação foi feita nesta terça-feira (2/6) após reunião com ministros para discutir um relatório do USTR que recomenda a aplicação de uma sobretaxa de 25%.
Reunião com Ministros
No encontro, que contou com a presença de ministros como Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) e Dario Durigan (Fazenda), Alckmin expressou sua preocupação com a recomendação do USTR. Ele enfatizou que o governo brasileiro busca evitar que essa proposta se torne uma realidade, afirmando que "o caminho é o diálogo".
Críticas à Proposta
Alckmin também classificou as conclusões do USTR como "descabidas" e mencionou que essa possibilidade de sobretaxação está ligada a "falsos patriotas" que priorizam interesses pessoais. O presidente Lula, que falou antes de Alckmin, associou a proposta à família Bolsonaro, insinuando que seus membros buscaram a intervenção de um país estrangeiro nas decisões brasileiras.
Interferência da Família Bolsonaro
Durante um evento em Catalão (GO), Lula chamou os filhos de Jair Bolsonaro de "traidores" e "vendilhões da pátria". A crítica se deu após a participação de Eduardo e Flávio Bolsonaro em reuniões com auxiliares do presidente americano, o que levantou suspeitas sobre a influência deles nas decisões comerciais entre Brasil e EUA.
Investigação do USTR
O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada em julho de 2025, por ordem do ex-presidente Donald Trump, que analisou políticas brasileiras que, segundo os EUA, restringem o comércio. O documento sugere a sobretaxa com base na alegação de que o Brasil adota práticas comerciais "irrazoáveis".
Defesa do Sistema Pix
Os ministros Dario Durigan e Márcio Elias Rosa descartaram a possibilidade de mudanças no sistema de pagamentos Pix, criticado no relatório americano. Durigan ressaltou que o Pix é um símbolo de soberania financeira e que não será objeto de negociação com os EUA. Rosa também reforçou que o governo não aceitará que temas sensíveis à soberania nacional sejam discutidos sob pressão externa.
