A telemedicina vem se mostrando uma ferramenta crucial nos cuidados paliativos para pacientes com câncer em estágio terminal. Um estudo brasileiro, apresentado no congresso mundial de oncologia ASCO 2026, revelou que o acompanhamento remoto pode contribuir para a diminuição de internações hospitalares e da utilização de unidades de terapia intensiva (UTI) durante os momentos finais da vida dos pacientes.

Resultados do Estudo

A pesquisa avaliou 116 pacientes que receberam cuidados paliativos através de telemedicina nos últimos 30 dias de vida. Os resultados indicaram uma clara associação entre o monitoramento remoto e a redução nas taxas de hospitalização e intervenções consideradas agressivas e fúteis neste contexto, segundo o oncologista Igor Morbeck, um dos autores do estudo.

Os Objetivos dos Cuidados Paliativos

Os cuidados paliativos visam não apenas o controle de sintomas, mas também a preservação da dignidade e qualidade de vida do paciente. Morbeck destaca que a telemedicina pode facilitar um suporte mais humanizado, permitindo que muitos pacientes recebam cuidados em casa, junto de suas famílias.

A Evolução dos Cuidados Paliativos

Historicamente vistos como um serviço para os momentos finais da vida, os cuidados paliativos têm evoluído e agora são recomendados desde o início do tratamento oncológico. Estudos demonstram que a integração precoce desses cuidados pode melhorar a qualidade de vida e reduzir o sofrimento dos pacientes, além de evitar intervenções desnecessárias.

Telemedicina e Deslocamentos

A pandemia de COVID-19 acelerou a adoção da telemedicina, mas sua implementação nos cuidados oncológicos ainda está em desenvolvimento. Pacientes em cuidados paliativos frequentemente enfrentam dificuldades físicas que tornam as visitas hospitalares desgastantes. O acompanhamento remoto oferece a possibilidade de monitorar sintomas e ajustar tratamentos sem a necessidade de deslocamentos constantes.

A Discussão Global sobre o Fim da Vida

Nos últimos anos, a discussão sobre o conceito de “fim de vida de qualidade” tem ganhado força entre sociedades médicas internacionais. Isso inclui a necessidade de alinhar expectativas terapêuticas e evitar procedimentos invasivos que não trazem benefícios clínicos. Especialistas afirmam que o cuidado paliativo não é sinônimo de desistência, mas sim de um foco nas necessidades do paciente.