O PicPay, banco digital sob o controle do Grupo J&F, reportou um lucro líquido ajustado de R$ 169 milhões no primeiro trimestre de 2023, o que representa um aumento de 92% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Este resultado superou as expectativas da empresa, que já previu um crescimento contínuo para o segundo trimestre.
Resultados Financeiros
A receita líquida do PicPay cresceu 70%, totalizando R$ 3,5 bilhões, enquanto a margem financeira foi de R$ 1,7 bilhão, um aumento de 76%. Este foi o primeiro resultado divulgado desde que a empresa listou suas ações na Nasdaq, em janeiro deste ano.
As projeções iniciais do PicPay para o primeiro trimestre indicavam um lucro líquido ajustado em torno de R$ 155 milhões, com margem financeira de R$ 1,65 bilhão e receita de R$ 3,15 bilhões. Contudo, os números finais mostraram uma performance superior.
Rentabilidade e Crescimento
A rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) ajustada foi de 15,5%, abaixo dos 17,7% registrados um ano antes e dos 24,4% do quarto trimestre de 2022. O CEO Eduardo Chedid atribuiu essa queda ao impacto do IPO e afirmou que a utilização do novo capital deve elevar o ROE acima de 20% nos próximos trimestres.
Ao final de março, a carteira total de crédito do PicPay atingiu R$ 28 bilhões, um crescimento de 116% em relação ao ano anterior, superando a expectativa de R$ 26,5 bilhões. O custo do risco foi de 3,7%, conforme projetado.
Indicadores de Inadimplência
O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 8,9%, em comparação a 7,2% no quarto trimestre do ano passado e 4% no mesmo período do ano anterior. A instituição ressalta que esses números refletem o crescimento acelerado e não devem ser interpretados como uma deterioração da qualidade dos ativos.
Expectativas para o Futuro
Para o segundo trimestre, o PicPay prevê um lucro líquido ajustado de R$ 245 milhões, com uma receita estimada em R$ 3,6 bilhões e uma margem financeira de aproximadamente R$ 1,9 bilhão. A carteira de crédito deve chegar a cerca de R$ 31 bilhões até o final de junho, com custo de risco previsto entre 3,7% e 3,9%.
Apesar de um cenário macroeconômico desafiador, Chedid acredita que uma eventual deterioração nos níveis de inadimplência ocorreria de forma gradual. A empresa está atenta à sua política de risco e reforçando suas áreas de compliance, especialmente em resposta a novas designações de segurança pelos EUA.
