Uma nova pesquisa publicada no British Journal of Clinical Pharmacology sugere que o mebendazol, um antiparasitário comumente utilizado para tratar infecções por vermes intestinais, pode ter um papel promissor no tratamento de câncer cerebral. A revisão, que abrangeu 22 estudos, foi coautorada por pesquisadores da Bond University.

Resultados em testes com animais

Os pesquisadores observaram que o mebendazol foi capaz de retardar o crescimento de tumores em experimentos realizados com ratos. Os resultados indicaram que a substância poderia duplicar as taxas de sobrevivência dos animais e, quando utilizada em conjunto com radioterapia, mais da metade deles permaneceu livre de tumores por um longo período.

Desafios do câncer cerebral

Os cânceres cerebrais primários, como o glioblastoma e o meduloblastoma, são reconhecidos por suas altas taxas de letalidade. Mesmo com tratamentos convencionais, como quimioterapia e radioterapia, os índices de sobrevivência em cinco anos são alarmantemente baixos, variando em torno de 20% para esses tipos de câncer. O glioblastoma, a forma mais agressiva, apresenta uma média de sobrevida de apenas 12 a 16 meses após o diagnóstico.

Mecanismos de ação do mebendazol

O mebendazol é tradicionalmente empregado no tratamento de infecções intestinais, mas sua revisão como potencial agente anticancerígeno revelou que ele pode atuar de várias maneiras. Ele age interrompendo a divisão celular, bloqueando a formação de novos vasos sanguíneos, inibindo sinais químicos que favorecem o crescimento tumoral e comprometendo o reparo do DNA, o que torna as células tumorais mais resistentes aos tratamentos.

Potencial sinérgico com tratamentos convencionais

Além de suas propriedades anticancerígenas, o mebendazol pode também potencializar os efeitos de quimioterapia e radioterapia, segundo os pesquisadores. Liam O’Callaghan, um dos autores do estudo, ressalta que a multifuncionalidade do medicamento em atacar as células tumorais é um aspecto intrigante e promissor.

Limitações dos estudos

Embora os resultados em modelos animais sejam encorajadores, O’Callaghan destaca que as evidências sobre a eficácia do mebendazol em humanos ainda são limitadas e inconsistentes. As altas doses do medicamento mostraram-se seguras em crianças e adultos, mas mais pesquisas são necessárias para validar a sua eficácia no combate ao câncer cerebral.