O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manifestou sua expectativa de que a disputa tarifária entre Brasil e Estados Unidos seja solucionada e apresentada ao presidente americano, Donald Trump, em breve. A declaração foi feita durante uma reunião ministerial da OCDE, em Paris, após a recente imposição de tarifas pelos EUA contra produtos brasileiros.

Tarifas impostas pelos EUA

Na última semana, o governo americano anunciou duas rodadas de tarifas, uma de 25% por práticas comerciais consideradas injustas e outra de 12,5% relacionada ao uso de trabalho forçado, afetando o Brasil e mais 58 países. A soma dessas taxas pode resultar em um aumento de até 37,5% sobre produtos brasileiros. A decisão final sobre essas tarifas cabe a Trump, com prazo até 15 de julho.

Diálogo com os EUA

Na abertura da sessão ministerial, Vieira foi abordado por Jamieson Greer, representante do Comércio dos EUA, que expressou a intenção de continuar as conversas com o Brasil. Vieira afirmou que está aberto a negociações e que o Brasil tem um longo histórico de diálogo com os EUA, iniciado em 2025, abrangendo diversos temas, incluindo o combate ao crime organizado.

Justificativas para as tarifas

O ministro enfatizou que o Brasil não vê justificativas para as tarifas impostas, apontando que o país respondeu a mais de 80 perguntas durante as consultas da Seção 301, destacando que não há superávit comercial com os EUA, mas sim um déficit significativo de US$ 450 bilhões nos últimos 15 anos.

Possível encontro entre Lula e Trump

Sobre a possibilidade de um encontro entre o presidente brasileiro Lula e Trump durante a cúpula do G7, marcada para o final de junho, Vieira comentou que não há nada agendado, mas reiterou que Lula participará do evento e que, se houver oportunidade, ambos poderão dialogar.

Acordo Mercosul e União Europeia

O ministro também destacou a importância do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que começou a vigorar em caráter provisório em 1º de maio. Vieira ressaltou a urgência desse entendimento, pois é fundamental para o Brasil expandir sua rede de acordos comerciais com grandes potências.

Após sua participação na OCDE, Vieira manteve encontros bilaterais em Paris e mencionou contatos exploratórios com o Reino Unido e Japão para novos acordos comerciais. Ele avaliou os dois dias de reuniões como altamente produtivos e informou que, ao retornar ao Brasil, terá reuniões com os ministérios do Comércio e da Fazenda para dar continuidade às negociações tarifárias.