Os juros médios cobrados por instituições financeiras no Brasil registraram um recorde histórico em abril, alcançando 33,8% ao ano para pessoas físicas e empresas, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (28/5). Este é o maior patamar desde o início da série histórica em 2011.

Taxas elevadas para indivíduos e empresas

Quando analisados apenas os créditos concedidos a pessoas físicas, os juros subiram para 39% ao ano, o maior percentual desde março de 2017, quando atingiu 40,6%. Para as empresas, os juros chegaram a 22,3% ao ano, o que marca o maior nível desde agosto de 2016.

Programa Desenrola como alternativa

Diante da alta dos juros, o governo Lula introduziu o programa Desenrola para auxiliar na redução do endividamento das famílias, especialmente nas dívidas relacionadas a cartões de crédito. Desde o dia 5 de maio, o programa já renegociou R$ 10 bilhões em dívidas, totalizando 1,1 milhão de pedidos.

Impactos da taxa Selic

Fernando Rocha, chefe do departamento de Estatísticas do Banco Central, declarou em coletiva de imprensa que, apesar da trajetória de queda iniciada na Selic, atualmente fixada em 14,5% ao ano, ainda é incerto quando esse movimento refletirá na diminuição dos juros cobrados pelos bancos. Ele enfatizou que ainda é cedo para prever impactos significativos.

Juros do cartão de crédito e inadimplência

Os juros médios do rotativo do cartão de crédito atingiram impressionantes 432,1% ao ano em abril. A inadimplência nessa modalidade foi de 60,6%, representando uma leve queda de 0,5% em relação ao mês anterior. A concessão total de crédito nessa linha chegou a R$ 39,2 bilhões, com um aumento de 6,1%.

Condições do crédito consignado

A inadimplência no crédito não consignado subiu 0,4 ponto percentual, atingindo 9,3%. Já no crédito consignado para trabalhadores privados, a taxa de não pagamento cresceu 0,7 ponto percentual em abril, alcançando 7,3%, o maior índice desde março do ano passado. Em abril, a concessão de crédito consignado para trabalhadores CLT totalizou R$ 9,7 bilhões, uma queda de 10,1%.

Análise da situação atual

A inadimplência geral na pessoa física permaneceu estável, com um leve aumento de 0,1 ponto percentual, totalizando 5,4%. Rocha mencionou que ainda é cedo para afirmar se a intenção do governo de lançar o programa Desenrola influenciou o comportamento de pagamento das dívidas. Em relação ao crédito consignado para aposentados, houve uma queda de 24,2% no último mês, possivelmente devido a decisões cautelares do Tribunal de Contas da União e uma postura mais conservadora dos bancos na concessão de empréstimos.