Desde maio, cem escolas municipais do Rio de Janeiro estão testando um projeto inovador que visa minimizar o tempo que alunos do ensino fundamental 2 passam em dispositivos eletrônicos. A iniciativa envolve a plataforma Nomo, desenvolvida pelo economista brasileiro Leonardo Bursztyn, que atualmente leciona na Universidade de Chicago.
Como funciona o Nomo
O aplicativo propõe desafios gamificados para os usuários, permitindo que estudantes e suas turmas compitam entre si. Aquelas que conseguirem passar menos tempo no celular acumulam pontos, chamados de 'momentos', que podem ser trocados por prêmios como ingressos de cinema, cupons em lojas, o plantio de árvores ou assinaturas de apps educativos como o Duolingo.
Incentivo em vez de controle
Bursztyn explica que o Nomo não é um instrumento de controle, mas sim uma ferramenta de incentivo. "Os alunos competem entre si e se unem para vencer outras turmas, numa corrida para reduzir o tempo nas redes sociais", afirma o CEO da startup de bem-estar digital. O nome Nomo, que significa 'No Missing Out', contrasta com o conceito de Fomo (Fear of Missing Out).
Resultados positivos e experiências
Nos Estados Unidos, recompensas populares incluem ingressos para jogos da NBA e descontos em redes de fast-food. No Reino Unido, os usuários podem ganhar prêmios em cafeterias. O Brasil, que apresenta um dos maiores índices de uso de redes sociais, vê adolescentes gastando, em média, mais de 5 horas por dia nessas plataformas, o que afeta a saúde mental e o desempenho escolar.
Impacto nas escolas
Um estudo realizado na Universidade de Chicago mostrou que alunos que usaram o Nomo conseguiram reduzir o uso das redes sociais para menos de uma hora por dia em apenas duas semanas, resultando em uma diminuição de 47% nos sintomas de depressão. No Brasil, o app foi adotado em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, onde alunos têm recebido incentivos adicionais para se desconectar.
O desafio vai além da escola
Renan Ferreirinha, ex-secretário de Educação, destaca que o desafio agora é lidar com o uso de tecnologia fora do ambiente escolar. Ele acredita que é necessário discutir restrições às redes sociais para menores de 16 anos, à semelhança de medidas adotadas na Austrália. "Precisamos de um rigor semelhante ao que foi feito com o cigarro", argumenta.
