A incontinência urinária é uma questão que ainda carrega estigmas e precisa ser discutida abertamente na sociedade. Em um encontro realizado na sede da Fiesp, o tema foi debatido entre pesquisadores, profissionais de saúde e gestores públicos, com o objetivo de promover uma nova abordagem sobre o assunto.
O Tabu da Incontinência
O pesquisador britânico Peter Lloyd-Sherlock destacou que a incontinência urinária deve deixar de ser vista como um constrangimento privado e ser integrada na agenda pública relacionada ao envelhecimento e saúde. Ele comparou a situação atual ao que ocorreu com a pobreza menstrual, que até pouco tempo era um tabu, mas agora já é discutido abertamente.
Dados Alarmantes
Estudos indicam que mais de 3 milhões de idosos no Brasil, cerca de 10% dessa população, relatam sintomas de incontinência. Além disso, a expectativa é que mais da metade das pessoas enfrente episódios de incontinência ao longo da vida. Essa invisibilidade do problema resulta em subnotificação e um atraso no diagnóstico, exacerbando a condição.
Desafios no Cotidiano
A enfermeira Larissa Chaves Pedreira, da Universidade Federal da Bahia, ressaltou que muitos idosos enfrentam uma verdadeira batalha burocrática para conseguir fraldas fornecidas pelo poder público. A necessidade de laudos médicos e cadastros presenciais complicam ainda mais o acesso a esses produtos essenciais.
Impactos na Saúde e na Economia
O custo elevado de fraldas de baixa qualidade e a falta de discussão sobre alternativas para promover a autonomia, como exercícios pélvicos e adaptações em casa, são preocupantes. Lloyd-Sherlock enfatizou que o investimento inadequado em produtos de higiene pode resultar em custos ainda maiores para o sistema de saúde pública, especialmente com o aumento da população idosa nos próximos anos.
Direitos e Dignidade
A enfermeira Yeda Duarte, da USP, abordou a incontinência como uma questão de direitos humanos e dignidade. Ela criticou práticas hospitalares que muitas vezes levam à perda de continência e ressaltou a importância de rever hábitos de cuidado no ambiente doméstico. Soluções simples, como o uso de urinóis, podem prevenir acidentes e melhorar a qualidade de vida dos idosos.
