Nesta terça-feira, dia 2, o governo brasileiro convocou uma reunião de emergência para debater a resposta à proposta dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O encontro contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, dos ministros Dario Durigan (Fazenda) e Márcio Elias (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), além de representantes do Itamaraty. O chanceler Mauro Vieira não pôde comparecer, pois se encontra em viagem ao exterior.

Contexto da Reunião

A reunião foi convocada poucas horas após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluir uma investigação comercial contra o Brasil, recomendando a aplicação das tarifas. O relatório do USTR aponta que certas políticas brasileiras são consideradas “irrazoáveis” e prejudiciais às empresas americanas, citando problemas relacionados ao Pix, comércio digital, propriedade intelectual, etanol, desmatamento e corrupção.

Reações do Governo Brasileiro

Nos bastidores, membros do governo classificaram a proposta estadunidense como sem embasamento técnico sólido e descreveram como “absurda” a inclusão de alguns dos argumentos apresentados. Apesar disso, assessores do presidente Lula acreditam que o resultado poderia ter sido mais severo, considerando que a tarifa proposta é de 25% e há uma lista significativa de produtos isentos, além da possibilidade de um acordo entre Brasil e Estados Unidos.

Impacto das Tarifas

Embora analistas acreditem que o impacto para o Brasil será limitado devido às isenções, eles alertam sobre as possíveis consequências dessa nova escalada comercial. Produtos como café, carnes e aeronaves estão entre os que seriam poupados das tarifas, conforme o relatório do governo Trump.

Estratégia de Resposta

O objetivo da reunião é alinhar a estratégia do governo brasileiro diante dessa nova proposta tarifária. Entre as alternativas em discussão está a continuidade das negociações com Washington, que foram iniciadas após a reunião entre Lula e Donald Trump em maio, bem como a consideração de medidas de resposta com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

Próximos Passos

Após o parecer do USTR, inicia-se uma fase de consulta pública antes de uma decisão final acerca das sanções comerciais. O prazo legal para a conclusão desse processo se encerra em 15 de julho, e a expectativa é de que o governo brasileiro esteja preparado para atuar conforme os desdobramentos dessa situação.