Durante um painel no Fórum Jurídico de Lisboa, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou que o Brasil ainda não está adequadamente integrado às cadeias globais de valor da inteligência artificial. Ele afirmou que essa falta de integração impede o país de transformar seu atual ciclo de crescimento em algo sustentável.
Limites do crescimento atual
Galípolo comentou que o modelo de crescimento adotado nos últimos anos, que se baseia em aumento de renda superior à produtividade, crédito aquecido e um consumo doméstico robusto, tem funcionado, mas possui limites. Ele observou que esse modelo ainda protege o Brasil contra choques externos, mas já demonstra sinais de pressão inflacionária, especialmente em serviços que demandam mais mão de obra.
Crescimento e produtividade
O presidente do Banco Central alertou que o crescimento impulsionado pela demanda tem um teto. Para Galípolo, ultrapassar esse limite sem ganhos reais de produtividade levará a pressões inflacionárias, que o Banco Central precisará conter através do aumento da taxa de juros. Ele defendeu que o Brasil deve se conectar de forma mais eficiente às cadeias globais de valor para garantir um crescimento sustentável.
Memória muscular dos mercados
Galípolo também comentou sobre o fenômeno conhecido como “memória muscular dos mercados” durante ciclos de aperto monetário. Ele explicou que, mesmo em situações de choques de oferta, os juros tendem a subir mais do que os preços, o que não é esperado, pois esses choques geralmente desaceleram o crescimento econômico.
Análise do cenário econômico
O presidente do BC sugeriu que o comportamento dos mercados muitas vezes é influenciado por condicionamentos de ciclos anteriores, em vez de uma análise do cenário atual. Esse fator pode levar a decisões financeiras que não refletem a verdadeira situação econômica.
Expectativas para o futuro
À medida que se aproxima mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), programada para os dias 16 e 17 de junho, o mercado já projeta uma inflação medida pelo IPCA em 5,09% para 2026, o que está acima do teto da meta de 4,5%. Além disso, a expectativa é de que a Selic atinja 13,25% ao final deste ano, segundo os dados mais recentes do Boletim Focus.
