A pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), anunciou que seu estudo sobre a polilaminina, uma proteína derivada da placenta, foi aceito por uma revista científica com revisão por pares. A informação foi divulgada ao g1 na última quarta-feira, mas detalhes sobre a publicação e a data de divulgação não foram revelados.

Debate sobre Segurança e Eficácia

A aceitação do estudo ocorre em um contexto de debate sobre a segurança e a eficácia do tratamento experimental, que ainda está em fase clínica. Apesar da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso compassivo da polilaminina em casos específicos, especialistas alertam para a necessidade de cautela até que os ensaios clínicos sejam completados.

Revisões e Recusas

Até o momento, o trabalho não possui uma versão científica final, apenas um pré-print, que é uma versão inicial ainda não revisada formalmente. Tatiana Sampaio admitiu anteriormente que houve erros no texto e que versões revisadas foram submetidas à Nature Communications e ao Journal of Neurosurgery, ambas rejeitaram as publicações.

Questões e Erros Identificados

Entre os problemas levantados estão discrepâncias na taxa de recuperação de pacientes e a falta de registro do ensaio clínico em um banco internacional. Um gráfico que mostrava um participante falecido melhorando após 400 dias foi apontado como um erro de identificação de dados, segundo a pesquisadora.

Etapas Regulatórias Pendentes

Embora a equipe de pesquisa apresente resultados preliminares, especialistas enfatizam que a polilaminina deve passar por etapas cruciais para validar sua segurança e eficácia. Em janeiro, a Anvisa autorizou um ensaio clínico de fase 1 para testar a segurança da substância em cinco pacientes com lesões agudas na medula espinhal, mas a pesquisa ainda aguarda tramitação na comissão de ética.

Uso Compassivo e Investimentos

Enquanto os estudos avançam, pacientes têm recebido a substância por meio do uso compassivo, que é permitido quando não há opções terapêuticas disponíveis. A farmacêutica Cristália, responsável pelo desenvolvimento da tecnologia, informou que já investiu mais de R$ 110 milhões no projeto e que 84 pacientes foram autorizados a utilizar a polilaminina, sendo 44 por decisão judicial.

Apesar do crescente interesse, especialistas afirmam que ainda não existem evidências suficientes para garantir a eficácia do tratamento. O diretor científico da Fundação Christopher & Dana Reeve, Marco Baptista, destacou a importância de comprovar a segurança e eficácia antes de qualquer conclusão, assim como a Academia Brasileira de Neurologia, que enfatiza a necessidade de seguir todos os critérios para validação científica.